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junho 27, 2005

Pouca coisa

Perguntei se me podia sentar. Respondeu-me que sim, e ali fiquei lado a lado com ela no banco do jardim. Impávida, permaneceu calada na sua tarefa de alimentar os pombos. Ía-lhes deitando milho e eles vinham em bando pousar-lhe junto. Alguns comiam-lhe na mão. Depois abrandava e os pombos pareciam fugir saciados. O saco plástico estava ainda meio cheio, mas ela parava. Ficava observando o voo das aves, ora uma, ora outra que vinham catar os últimos bagos entre as frestas da calçada. Os seus olhos, enrugados não me suscitaram lembranças mas tinha um ar sábio. Seria que ela se entretinha todos os dias a fazer o mesmo? Pouca coisa para quem, acho eu, poderia fazer mais e melhor. Queria perguntar-lhe (porque me parecia) o porquê do ar triunfal quando os pombos lhe comiam na mão. Afinal os pombos gostam de milho. Eu não via nada de extraordinário naquilo. Mas não a conhecia e eu sou tímido. Descansado que estava da longa caminhada, do vaivém diário, da azáfama de distribuição de publicidade ao domicílio, levantei-me. Olhei-a de novo nos olhos. Antes de abalar ouvi-a dizer. “Sabe, senhor, os pombos gostam de milho; ficam felizes nem que seja com um grão”.

Publicado por Alves Fernandes às junho 27, 2005 11:13 PM

Comentários

Junto ao meu local de trabalho existe uma praça. Nessa praça os velhotes e velhotas ocupam os bancos ao final do dia para conversar e dar pão ás aves que por ali andam. Nunca perdi o hábito de me sentar junto a eles e trocar dois dedos de conversa. No inicio hesitei como tu mas agora conheço-os a todos e contam histórias fantasticas.
Atendendo ao que escreveste essa senhora deverá ter uma historia bonita para te contar...

Publicado por: mad em junho 28, 2005 02:15 PM

olá. vc anda sumido...estou com saudades.

Publicado por: Dinny em junho 29, 2005 04:55 PM

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