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junho 21, 2005
Dezanove de Março
Não conseguia prestar atenção às notícias do jornal que lia, sentado naquela esplanada com vista para o parque infantil. Há alguns minutos que não tirava os olhos daquela menina. Teria uns cinco anos, não mais, mas o seu rosto parecia-lhe familiar. Tinha a certeza que nunca a tinha visto antes, pois era a primeira vez que tomava um café naquele estabelecimento, onde estava de passagem, fazendo tempo para uma entrevista. Mas um rosto como aquele não poderia ser apenas uma percepção do olhar. Teria de haver algo mais. Abriu a carteira e lá estava ele, fardado, de mão dada com uma mulher. Tinha sido sua namorada na Bósnia quando em missão. Tinha sido a sua paixão, a sua amante, o seu amor. Olhou bem o rosto da foto e imaginou-a menina. A mesma que brincava no parque infantil. Levantou-se decidido na tentativa de a abordar. Enquanto pagava o café e a água do Luso, um homem, um outro homem, aproximou-se da criança, deu-lhe um beijo, pegou-lhe na mão e levou-a. Falaram estrangeiro, numa língua que não lhe era estranha, mas onde apenas conseguiu entender a palavra, pai.
Publicado por Alves Fernandes às junho 21, 2005 10:09 PM
Comentários
Aqui escreve-se bem!
Publicado por: nikonman em junho 22, 2005 11:53 AM
Mais vale ela não saber
Publicado por: Papo-seco em junho 22, 2005 12:00 PM
Excelente texto. Coisas da vida real.
Um Abraço
Publicado por: Fernando B. em junho 23, 2005 07:41 PM