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maio 09, 2005
Falsos moralismos
Hoje, o jornal A Bola trás como notícia de primeira página, continuada nas páginas interiores, uma decisão editorial em que transmite aos seus leitores que durante uma semana, tentará, à sua maneira, contribuir pela pacificação do futebol. Nesta “pacificação” inclui-se, mas sobreleva-se, a não publicação de declarações de dirigentes, treinadores, jogadores e colunistas, que possam contribuir para incendiar ânimos à roda do futebol, numa altura em que o título de campeão nacional está por um fio. Esta atitude seria louvável se não fosse hipócrita. Andam um ano inteiro sem nenhuma preocupação deste tipo, enchem primeiras páginas com declarações de Pinto da Costa, Dias da Cunha, Filipe Vieira, noticiam incidentes de balneário, agressões em treinos, contratações inventadas pelas mais diversas fontes, tudo o que dá para vender num país de Quinta de Celebridades e de Fiel ou Infiel e depois vêm como virgens ofendidas, ou como quem se confessa pela Páscoa, depois de um ano de pecados, trazerem à estampa uma profissão de fé de purismo. Só por hipocrisia.
PS. Não precisaria de ilustrar nada do que disse antes, mas a título de exemplo transcrevo:
Ontem, Domingo, 8 de Maio, apreciação do árbitro Pedro Proença no Penafiel - Benfica: “ Vem aí tempo de discussão, mas é tempo de perceber que não há replays nos estádios. E alguns dos lances polémicos de ontem, que dissecamos noutra página, nem com mil discussões geram unanimidade…” Nota: 6 (em 10)
Hoje, Segunda-feira, 9 de Maio, apreciação do árbitro Bruno Paixão no Moreirense - FC Porto: “ Não houve lances polémicos mas falhou disciplinarmente, prejudicando ambas as equipas…” Nota: 4 (em 10)
Quem incendeia afinal? Um árbitro com arbitragem polémica tem uma classificação melhor do que um árbitro que apenas teve falhas disciplinares sem benefício de nenhuma das equipas?
Publicado por Alves Fernandes às maio 9, 2005 03:20 PM
Comentários
Disse à poucos dias que
"O futebol está para as telenovelas como os jornais desportivos estão para as revistas 'cor-de-rosa'"
Por mais que digamos que não, precisamos tanto de "novelas" como elas :P
Publicado por: Alexandre em maio 10, 2005 04:02 PM