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maio 05, 2005

Dois anos de Abrupto

Goste-se ou não se goste dele (do José Pacheco Pereira e / ou do Abrupto), o Abrupto é o blog de referência por excelência. O Abrupto anunciou o seu segundo aniversário, para lembrar e para comemorar, com um texto em que dizia

Cito

“…O Abrupto será nesse dia individual e colectivo, dedicado aos amigos e leitores, e aberto, como sempre, aos malfeitores que tenham alguma coisa para dizer.”

Fim de citação

Eu incluo-me em duas destas categorias. Na de leitor e na de malfeitor. Não conheço o José Pacheco Pereira pessoalmente, apenas faço parte da população anónima que o ouve e que o lê, pelo que, desde já, me excluo da categoria de amigo.

Vou por partes. Não preciso explicar porque é que o considero o blog de referência por excelência. Os números falam por si: as vistas, as page-views, as referências nos outros blogs, o número de links, as citações da imprensa. Ainda há poucos dias participei num colóquio sobre blogs onde o Abrupto / José Pacheco Pereira foi omnipresente. O nome dele foi referenciado por quase todos os animadores do debate. Isso tem um significado.

Como leitor, não sou um entusiasta, tenho de confessá-lo, apesar de o consultar todos os dias. Como é que não se é um entusiasta e se lê o Abrupto todos os dias, podereis obviamente perguntar. Quase que me atreveria a responder “porque sim”, a resposta de quem não sabe. No entanto há duas razões fundamentais:

a. Eu sou um viciado na blogosfera. “Infelizmente” tenho tempo para ler mais de cinquenta blogs por dia, atingindo com alguma frequência os 100. Consulto o Abrupto por curiosidade, como o faço com alguns muitos outros. No entanto, a maioria da poesia editada na versão inglesa ou francesa não colhe a minha preferência, por dificuldades de domínio completo das línguas referidas, pelo que a maioria não as leio ou não as entendo completamente (se fosse fácil não haveria tradutores especializados como por exemplo o Vasco Graça Moura) e, também considero que alguns textos que publica, extractos de outros texto de “autor” são uma forma de encher chouriços, manter actualizado o blog como se se tratasse de uma obrigação, o que aliás é comum a muitos blogs que por aí proliferam, sem qualquer notoriedade. Não discuto critérios editoriais, apenas estou a expressar uma opinião. Finalmente não gosto da sua opinião política, na generalidade.
b. É aqui que entra a minha qualidade de malfeitor. Leio-o porque gosto de contrapor. Já citei o Abrupto em variadíssimos dos meus posts, quer aqui, quer no PreDatado. E quase sempre para rebater (ou tentar) e para criticar a opinião expressa. Sempre o fiz de uma maneira cordial, não ofensiva e continuarei a fazê-lo. Mas esta atitude, exercício do contraditório, é uma das virtualidades da vida democrática e da liberdade de opinião. Digamos que sou uma espécie de malfeitor que não ataca à mão armada.

O Abrupto faz dois anos amanhã. Não dou uma no cravo e outra na ferradura, mas tenho de fazer a justiça de dizer que os quadros que José Pacheco Pereira escolhe para editar colhem, quase sempre, a minha simpatia. Mesmo que fosse só por isso, continuaria a visitá-lo todos os dias. Que continue, são os meus votos. Eu continuarei no meu papel de malfeitor.

Publicado por Alves Fernandes às maio 5, 2005 01:14 AM

Comentários

Tb leio...com esforço:)mas aproveito para saber o que se anda falando nos corredores "dos" poderes:)

Publicado por: annie hall em maio 5, 2005 10:53 AM