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abril 25, 2005

Outra Maria

Quando entramos na aldeia a Maria sente-nos o cheiro nos pneus. Corre e chega primeiro que nós a casa. A Maria tem faro.

A Maria passa o tempo a ladrar às andorinhas. A Maria é uma cadela.

Quando estamos próximos nem precisamos falar. Deita-se no chão e arrasta-se. A Maria não está manca, é uma mimada. Sim uma mimada é o que ela é. Depois abana a cauda.

Não sabemos como apareceu nem de quem é. Quando aparecemos nós, ela aparece também. É uma Maria aparecida.

A Maria adoptou-nos.

Espera pelo biscoito, pelo bife, pelo frango. Se lhe damos bacalhau, cheira-o e volta-lhe as costas. Nesse dia não ladrará aos gatos. Quando nos vamos certificar se comeu, a Maria ainda tem fome mas nada nos diz. Afinal ela e os gatos são cúmplices.

O motor do carro começa a trabalhar e a Maria olha-nos de relance. Volta-nos as costas e desaparece. Há quem diga que com uma lágrima no focinho.

Publicado por Alves Fernandes às abril 25, 2005 10:54 PM

Comentários

Adorei a Maria, Alves !

Publicado por: Finurias / Toze em abril 26, 2005 12:48 AM

Ohhhh! Que linda essa Matia! Snif! beijinhosss

Publicado por: panamá em abril 26, 2005 01:02 PM

onde digo matia, desdigo matia e digo maria...ufffa!

Publicado por: panamá em abril 26, 2005 01:02 PM

Adorei! E fique sabendo que se ela tiver a dita lágrima é a lágrima mais sincera que voçê já viu:).Bem vindo ao mundo dos donos de cão...ou adoptados por cães!

Publicado por: annie hall em abril 26, 2005 03:55 PM

Tragam-na convosco...

Publicado por: Angela em abril 27, 2005 07:37 PM

Ângela na verdade não a trazemos por duas razões fundamentais: ela tem o habitat dela lá na aldeia onde acho que quase toda a gente também a adoptou; em casa, um modesto apartamento não há condição para a ter.

Publicado por: Alves Fernandes em abril 27, 2005 10:38 PM