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abril 07, 2005
A tristeza e a alegria
1. O Hospital Garcia de Horta, em Almada ajudou, neste ultimo fim-de-semana, a minha sogra a morrer. Cessem as discussões, os congressos, os seminários, as conferências. Calem-se os teóricos, os religiosos e os radicais da vida. Os prós e os contras da morte medicamente assistida. Substituem todo o debate por visitas de estudo às urgências dos hospitais portugueses. Em uma semana, um dia ou uma hora aprenderiam e concluiriam de como ajudar alguém a morrer, sem polémica, sem tribunais e sem media. E seja qual for a causa, morrem todos de insuficiência respiratória. Óbvio, não é? Se parares de respirar, morres. A minha sogra morreu, numa reentrância dos corredores do serviço de urgência do hospital de Almada. Dos 41 graus de febre com que entrou ao gelo da face com que saiu, dois dias bastaram. Que descanse em paz.
2. No dia 7 de Abril de 1932 a minha avó Emília deu à luz o nono filho da sua prole. Era uma menina e chamar-se-ía Crisálida. No primeiro andar do prédio (talvez o mais pequeno que ainda hoje lá existe), o maior que na época existia, durante muitos anos chamado de prédio grande. Hoje subi as escadas de outro prédio e fui-lhe dar um grande beijo. Parabéns mãe!
3. Tu sabes, Maria, como é bom termos a nossa mãe. Perdeste a tua, tens a minha. Não se substitui uma mãe, eu sei, mas agora, a minha é a nossa única mãe. Que viva muitos anos.
Publicado por Alves Fernandes às abril 7, 2005 12:30 PM
Comentários
Os meus sentimentos, caro Alves Fernandes, pela perda.
[os parabéns à sua mãe, ainda que me custe juntar estas duas frases de seguida]
Abraço
Publicado por: Carriço em abril 7, 2005 01:18 PM
Um beijo muito especial para os dois.
Publicado por: mad em abril 7, 2005 02:17 PM
Diz, por mim, à tua Maria, que é mesmo verdade: ninguém, seja quem for, pode substituir a nossa mãe. Mas que podemos disponibilizar-nos para aceitar outras mães na nossa vida. Que, não sendo nem de perto nem de longe, a mesma coisa, ainda assim, pode trazer-nos muitas alegrias.
Um grande beijinho para os dois. E parabéns à mãe dum filho tão querido.
Publicado por: amariadaiana em abril 7, 2005 02:25 PM
parabéns às duas mães: a viva e a morta. Mães sempre merecem os parabéns. E um beijo especial a tua Maria. Ela vai precisar de muitos.
Publicado por: maray em abril 7, 2005 03:25 PM
Muitos beijinhos aos dois, a ti Alves e à tua Maria!
Publicado por: panamá em abril 7, 2005 03:29 PM
Arrepiei-me! Nem quero pensar na ida da minha...
Publicado por: Helena em abril 7, 2005 03:54 PM
Passo por este post com o silêncio e reverência próprios. Um abraço forte.
Publicado por: Carlos Geadas em abril 7, 2005 08:10 PM
As lágrimas que derramo juntaram-se às que vi derramar.
Mandaram esperar uma vida.
"Só sei que nada sei" - repetiam.
Cessaram às preocupações.
Obrigado com toda a ironia possivel aos médicos que (não) assistiram a minha adorada avó.
Talvez eles nunca tenham ouvido uma super mulher chamada Maria José Capote dizer-lhes ao ouvido.
"Não consegui salvar a minha mãe". Desculpa mamã mas conseguiste sempre, e enquanto amares assim ninguém morrerá, pelo menos nos nossos corações.
Publicado por: João Capote Fernandes em abril 7, 2005 10:20 PM
Beijinhos a todos, porque nem só a Maria sofre... sofrem também por ela aqueles que a amam e que sentem a sua dor, e que por mais que desejassem não lha conseguem tirar. Força...
Bjs Mts
Publicado por: Pê em abril 8, 2005 04:38 PM
Um beijo aos dois.ana
Publicado por: annie hall em abril 8, 2005 09:19 PM
O que me agrada neste poste é o cepticismo. E sabes do que falo.
Um beijo
Publicado por: Ana em abril 8, 2005 10:30 PM
Deixo um abraço aos dois e o meu silêncio.
Publicado por: micas em abril 9, 2005 10:42 PM
Um beijinho
Publicado por: jacky em abril 10, 2005 11:55 AM
Um abraço!
Publicado por: nikonman em abril 15, 2005 09:17 AM