« Jornalismo Criminoso | Entrada | Notas… que não são de conto. »
março 03, 2005
Só uma opinião
José Pacheco Pereira escreve hoje, no jornal Público, uma interessante mensagem para o seu partido a que, creio, mais cedo ou mais tarde irá fazer referência no Abrupto.
Começa o artigo com uma curiosa pergunta (cito) “E se no PSD se experimentasse discutir um pouco de política?”. A questão até seria interessante se o PSD fosse um partido com ideologia. Mas já lá vou.
Ainda no mesmo parágrafo (volto a citar) “As pessoas são importantes, mas as políticas são mais.”.
Sendo eu estranho ao PSD tenho uma visão do mesmo como um partido de pessoas. Onde efectivamente as pessoas sempre foram mais importantes do que as políticas. Não sei se ainda há tempo para inverter a coisa, nem tão pouco se é oportuno ou ainda se, no PSD isso é desejável. Sempre me habituei ao Sá-Carneirismo, ao Cavaquismo, ao escasso Nogueirismo, ao Barrosismo e ultimamente ao Santanismo. Isto é, o PSD é um partido onde a política é a dos seus líderes e onde as pessoas se encaixam consoante os benefícios que podem retirar de uma maior ou menor aproximação aos chefes. E um partido cuja ideologia assenta nos –ismos que internamente se vão gerando. Definitivamente é um partido onde sempre foram mais importantes as pessoas do que as políticas.
E aqui retorno à primeira questão. Discutir um pouco de política? Num partido ideologicamente órfão? Ao contrário das principais democracias europeias, Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Itália, entre outras é fácil perceber o espaço ideológico dos principais partidos “de governo”. Os confrontos fazem-se entre socialistas (trabalhistas / sociais-democratas) e conservadores (democratas-cristãos / neo-liberais), cujas teses de argumentação política e actuação social assentam em ideologias-tipo, fundamentais para o discurso e a discussão política. Quando um partido aparece, como apareceu em Portugal o PPD, actual PSD, num espaço político indefinido, querendo ser à esquerda a consciência crítica para os “desvios socialistas” de um partido socialista ou à direita um eventual travão aos “desvios nacionalistas” de um partido da direita democrata-cristã, não lhe resta mais do que ser um partido de pessoas, onde a discussão política, como acho entender do propósito de Pacheco Pereira, tem um espaço limitado. Na verdade eu próprio, e talvez pelas minhas próprias limitações de conhecimento, não percebo muito bem a existência do PSD no campo político-ideológico. Já no campo das pessoas e dos benefícios que disso podem advir, eu entendo. Ah se entendo!
Publicado por Alves Fernandes às março 3, 2005 01:00 PM