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março 14, 2005

Lobbies

O Eng. Sócrates anunciou que uma das medidas a tomar pelo seu governo seria o de permitir a venda de medicamentos não sujeitas a receita médica em outros locais que não só as farmácias.

Um dia destes ouvi um responsável pela organização de cúpula das farmácias (desculpem mas não sei o nome) dizer que nos países onde esta medida tinha sido adoptada se registava a maior taxa de mortalidade por ingestão de medicamentos. Estas declarações são absolutamente levianas. Não só não forneceu nenhum número que o comprovasse, como o facto de se comprar em farmácias ou num outro local qualquer é absolutamente igual sob o ponto de vista dos efeitos.
Eu tenho quase 50 anos e já devo ter entrado em pelo menos 50 farmácias diferentes. Nunca ao comprar uma caixa de Aspirinas ou Ben-U-Ron, uma pomada Lauroderme ou xarope Bisolvon, um único farmacêutico ou empregado da farmácia me perguntou porque é que eu comprava, como é que ia usar, a quem se destinava ou qual o sintoma a combater. Limitam-se a vender e pronto.

De resto esta medida, em prática em vários países como a Inglaterra e os EUA, não é para mim uma questão de fundo sob o ponto de vista da agenda política. Sê-lo-á sim se for uma demonstração de que este Governo é capaz de enfrentar lobbies, entre os quais um dos mais poderosos é o das farmácias. Vou ficar à espera para ver se temos Homem (com H grande) ou Banana (com um M de medroso).

Publicado por Alves Fernandes às março 14, 2005 02:53 PM

Comentários

Enfrentar as farmacias ou dar mais uma ajudinha aos grandes hipers?
Há tanta forma de atacar os lobbies das farmacias, como por exemplo, liberalizar a abertura de farmacias, dando possibilidade aos jovens farmaceuticos de abrir a sua propria farmacia em vez de se terem de dedicar a outras areas ou se submeter aos grandes monopolios farmaceuticos, a racionalização na venda de medicamentos etc. etc. etc.
Mas assim ele vai tambem cumprir uma promessa eleitoral, a de dar 1500 empregos a jovens licenciados, ou seja rapidamente ele vai conseguir empregar não sei quantos licenciados em farmacia, sem colocação, como empregados de supermecado sem contrato sem regalias e com ordenado de operador de caixa ou repositor de mercadorias.

O homem é mesmo bom...

Publicado por: Carlos F. em março 14, 2005 03:16 PM

Carlos, não contesto a tua análise. O objectivo do meu post é mostrar alguma desconfiança, não em relação à bondade da medida, mas sim à capacidade de, nem que seja por pequenas coisas como esta, se começarem a enfrentar os lobbies e os poderes instalados. Os meios para os fazer podem ser detalhes de maior ou menor importância, mas o objectivo político, para mim é o mais relevante.
Só uma nota sobre o poder das faramácias ou o poder dos hipermercardos. Não é óbvio que só as grandes superfícies possam sair beneficiadas. Uma vez que os medicamentos são tabelados, se puderem ser vendidos ali, também poderão ser vendidos na loja da tua rua. Se assim não for, então a coisa pia mais fina.

Publicado por: alves fernandes em março 14, 2005 03:49 PM

Subscrevo o que dizes.
Quando se trata da defesa de interesses, os argumento até incluem dados pseudo-científicos.

Publicado por: ajcm em março 14, 2005 04:27 PM

Concordo plenamente contigo.

Espero que a seguir venha a venda de medicamentos nos hospitais.

Publicado por: Papo-seco em março 15, 2005 12:05 AM

e ainda mais lógica é a venda desses medicamentos em lojas de conveniência, dessas que estão abertas 24h por dia. sim, uma pessoa a precisar de aspirinas ou coisa parecida a meio da noite não as arranja com certeza na farmácia ou no hiper...

Publicado por: caxopa em março 15, 2005 10:52 PM