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março 30, 2005
Já tenho uma nova T-Shirt “SALVEM OS EUROPEUS”
Ontem, num interregno de inteligência (sim, não estejam a rir, tenho dias que sou inteligente, nos outros faço intervalo), ouvi um pouco do fórum mulher na TSF. Nunca percebi porque é que há um fórum mulher. Nas manhãs, a TSF tem um fórum, para homens e para mulheres; às tardes tem um só para mulheres. Um dia destes irão ter um só para ciganos, outro só para chineses, outro só para caucasianos, outro só para indo-paquistaneses e por aí fora. Mas adiante. Uma senhora, a propósito do referendo sobre o aborto e defendendo uma posição anti-despenalização dizia:
“… ainda há dias, passei na baixa e lá estava um grupo de defesa das focas, em vias de extensão, apelando contra o morticínio das mesmas. Parece que todo o mundo se esquece que os Europeus, devido à sua baixa taxa de natalidade também estão em vias de extinção”.
Eu só me apeteceu responder: “Não se preocupe minha senhora; se daqui a vinte e oito milhões de anos, não houver nenhuma mulher europeia, a TSF passará a transmitir o Fórum Mulher Índia de Descendência Neo-Maya”. Com as focas a bater palmas na assistência.
PS. Mas porque é que nos intervalos eu não ponho anúncios?
Publicado por Alves Fernandes às 04:34 PM | Comentários (5)
março 28, 2005
Eles andem aí
Não fui ao Alentejo. Ao contrário das Páscoas dos últimos oito anos, desta vez passei-a em casa. De roupão. Ainda não consegui encaixar a ideia de conduzir na auto-estrada a 120 kms/h.
Fiz uma retrospectiva mental da semana política. Só me lembro do Freitas e isso. Neste país até os políticos parecem funcionários públicos.
Na terça-feira tive a minha última sessão (desta série) na psicóloga. Uma sensação de vazio tão grande, só comparável com a verificação do meu boletim do euro-milhões.
Mourinho para secretário-geral da ONU, já!
Não se pode dar mais dignidade a Carol Woytilla? Eu não sou católico, não entendo nada dos mistérios da religião nem da igreja. Mas o Papa também é um Homem, não é?
Não comemorei no meu blog, o dia da mulher, o dia do pai, o dia da poesia, o dia da árvore, o dia do teatro, o dia da água. Tenho transformado os dias em noites. Prometo acordar, um dia destes.
Continuo encandescentemente apaixonado por este blog.
Publicado por Alves Fernandes às 10:44 AM | Comentários (5)
março 25, 2005
Útil
Na Xafarica, útil para quem, como eu, não sabia ainda as alterações ao código. Obrigadinho.
Publicado por Alves Fernandes às 08:43 PM | Comentários (1)
março 24, 2005
Vaidade
Eu sei que existem blogs que passam o tempo a ser citados na imprensa. Blogs de gente "famosa", da política, do jornalismo, do social. Quando um blog "não alinhado" é citado por dignas razões alguém, o seu autor, fica feliz. Ou até vaidoso. Hoje calhou-me a mim.


Publicado por Alves Fernandes às 05:41 PM | Comentários (13)
março 23, 2005
Semana Santa
Fazia tempo que não me deslocava a Lisboa. Ontem caí na asneira de passar às Amoreiras. Só me apeteceu chamar santo a Santana Lopes.
Benny McCarthy deu uma cotovelada ao Rui Jorge. Este desatou a fazer uma fita que só visto. O primeiro abriu os braços clamando inocência. Dois santos são o que eles são.
No Parlamento, Paulo Portas e Marques Guedes atiraram-se ao Freitas do Amaral como o gato faz ao bofe. A defesa (não oficial) de George Bush feita pelo líder da bancada do PSD, deixou o intelectual texano a sentir-se um santo.
O Santo Padre parece que piorou. Se o Papa tem o “azar” de morrer na Semana Santa, não sei se o Cristianismo perdurará. Cá para mim ainda vamos assistir ao advento do Woytilismo.
A discussão do programa do Governo não suscitou, até ao momento em que escrevo este post, nenhum comentário no Abrupto. Cá para mim, José Pacheco Pereira está armado em santo.
Não sei se são culpados ou inocentes os que estão a ser julgados no processo Casa Pia. A julgar pelas reacções dos seus advogados, pelas reacções de alguns neo-nomeados e pelas reacções daqueles que vêm à praça pública pôr as mãos no fogo pelos arguidos, este processo, em honra à semana que atravessamos, não poderia passar a chamar-se “Julgamento dos Santos”?
No passado Domingo de Ramos dois polícias foram abatidos. Parece que o presumível autor já foi capturado. Na detenção foi encontrado um verdadeiro arsenal de guerra, em vez de ramos de oliveira. A santidade já não é o que era.
O autor deste post está extremamente constipado. Atchim!
Vá lá, não se façam rogados, digam SANTINHO!
Publicado por Alves Fernandes às 03:20 PM | Comentários (10)
Ontem
discutiu-se o programa do governo. Mas isso foi no parlamento. O resto do país discutiu se foram justos os cartões vermelhos aos jogadores do Porto.
PS. Ai que cheirinho a ópio!
Publicado por Alves Fernandes às 09:52 AM | Comentários (2)
março 21, 2005
Notas soltas ao vento... e hoje também à chuva.
1. Não tenho escrito aqui nem no PreDatado. Fui respirar os ares da Serra da Estrela, antes que sufoque.
2. Durante uma semana a imprensa e os comentaristas deram larguíssimo espaço ao regresso de Santana Lopes à Câmara de Lisboa. A maioria das análises que li tratava da questão do futuro político de Santana. Aparentemente parece ser um problema. Poucos se importaram, nesses escritos, com o futuro próximo de Lisboa. Essa é a minha única preocupação.
3. Uma grande algazarra à volta da confiança política retirada pelo PCP ao presidente da câmara de Redondo. Uma algazarra que não se faz, ás vezes nem um murmúrio, quando outros partidos o fazem a relação a autarcas seus, a quem retiram confiança política. Não é caça ás bruxas, acho eu, mas às vezes parece.
4. Começou uma nova séria de Quinta das Celebridades no mesmo dia em que o Público noticiava, em primeira página, “Em Portugal há mais gente a passar fome”. Ok! Não há pão dêem-lhes circo. Não seria justo não ter as duas coisas em simultâneo.
5. João Loureiro, presidente do Boavista, foi ouvido no processo Apito Dourado. Não se sabe, ainda, em que condição. Cada vez a montanha parece mais alta. Eu, homem de pouca fé, tenho as minhas dúvidas e os meus medos. Que a montanha vá parir um rato.
6. Parece que a chuva chegou. Estava só à espera que o Governo entrasse em funções. Há Sócrates que vêem por bem. Humpft! Desconfio que não é bem este o ditado popular, mas a minha cabeça não dá para mais.
Publicado por Alves Fernandes às 10:50 AM | Comentários (2)
março 16, 2005
SCUTS, impostos, ministros e governadores
Começo por dizer que talvez a minha área de formação académica seja responsável pela minha eventual miopia. Mesmo assim arrisco um ponto de vista.
Nunca percebi, talvez porque não me tenham explicado, para que é que servem os Ministros das Finanças. Ou melhor porque é que o Ministério das Finanças e o Ministério da Economia têm de ser dois organismos separados, geridos por duas pessoas diferentes.
Não conheci até hoje um único Ministro de Finanças que tenha ido além de: impostos, cargas ou “descargas” fiscais, taxas, cobranças e deslocalização de fundos. É preciso receita? Então aumentam-se impostos. Directos ou indirectos. IRCs, IRSs, IVAs, IAs e outros. Fazem-se contas e mais contas, não se atingem os objectivos negociados em Bruxelas, aceleram-se as cobranças vendendo dívidas, obtêm-se receitas vendendo património, mexem-se nas taxas e nos impostos. São a “coisinha” mais sem imaginação que existe. Não há soluções que façam mexer o país. Mete-se mais uma taxa no consumo do tabaco e do álcool (um dia destes liberaliza-se a venda de haxixe com uma taxa que vai dar cá um jeitão), vai-se buscar uns pozinhos na eliminação dos benefícios fiscais às poupanças, aumentam-se os impostos sobre os combustíveis, vendem-se os “incobráveis” a bancos, transferem-se fundos de pensões de um lado para o outro. Arrisco-me a dizer que qualquer tipo, munido de uma boa máquina de calcular ou de uma folha de cálculo Excel pode ser Ministro das Finanças. É só fazer as contas. Política de desenvolvimento? Isso é com o outro, o tal da Economia. E continuamos a marcar passo.
PS. É simples não é Dr. Vitor Constâncio? Até o senhor, que dizem ser um brilhante economista, com a responsabilidade que tem, foi simples no seu discurso. Não se cobram portagens, aumente-se os impostos. Com esta brilhante receita de desenvolvimento sustentado, o sr. Ministro das Finanças tem com que se entreter durante os próximos quatro anos. Que não lhe dê um crash ao computador, são os meus desejos.
Já agora a talhe de foice algum dos meus leitores sabe há quantos anos o sr. Governador do Banco de Portugal, não compra um carro com dinheiro dele, portanto não pagando IA, há quanto tempo não põe combustível com o dinheiro dele, portanto não pagando o respectivo imposto, há quanto tempo não se desloca sem ser no carro do banco, portanto não pagando portagem? E não só ele, mas todos os ministros, secretários de estado, chefes de gabinete, presidentes de câmaras e muitos milhares de eteceteras?
Publicado por Alves Fernandes às 01:01 PM | Comentários (6)
março 14, 2005
Lobbies
O Eng. Sócrates anunciou que uma das medidas a tomar pelo seu governo seria o de permitir a venda de medicamentos não sujeitas a receita médica em outros locais que não só as farmácias.
Um dia destes ouvi um responsável pela organização de cúpula das farmácias (desculpem mas não sei o nome) dizer que nos países onde esta medida tinha sido adoptada se registava a maior taxa de mortalidade por ingestão de medicamentos. Estas declarações são absolutamente levianas. Não só não forneceu nenhum número que o comprovasse, como o facto de se comprar em farmácias ou num outro local qualquer é absolutamente igual sob o ponto de vista dos efeitos.
Eu tenho quase 50 anos e já devo ter entrado em pelo menos 50 farmácias diferentes. Nunca ao comprar uma caixa de Aspirinas ou Ben-U-Ron, uma pomada Lauroderme ou xarope Bisolvon, um único farmacêutico ou empregado da farmácia me perguntou porque é que eu comprava, como é que ia usar, a quem se destinava ou qual o sintoma a combater. Limitam-se a vender e pronto.
De resto esta medida, em prática em vários países como a Inglaterra e os EUA, não é para mim uma questão de fundo sob o ponto de vista da agenda política. Sê-lo-á sim se for uma demonstração de que este Governo é capaz de enfrentar lobbies, entre os quais um dos mais poderosos é o das farmácias. Vou ficar à espera para ver se temos Homem (com H grande) ou Banana (com um M de medroso).
Publicado por Alves Fernandes às 02:53 PM | Comentários (5)
março 12, 2005
Carapaus
Os putos fazem cenas que não lembram a ninguém. Eu já fui puto e apesar da minha provecta idade recordo-me de histórias desses tempo como se fossem de hoje. Havia duas coisas que só de imaginar que a minha mãe iria fazer de almoço ou de jantar era birra certa. Sopa de feijão e, barra ou, peixe. Hoje, para mim, sopa que não tenha feijão não é sopa mas sim uma espécie ou, como eu costumo dizer, uma sopa fingida. E de peixe só não aprecio mesmo é o tal imperador. Oligarquias, nunca fui muito à bola com elas. Às vezes até levava porrada. Quer dizer, a minha mãe sacudia-me o pó das calças, no pensar dela uns açoites bem dados, eu fazia uma gritaria e a coitada ficava mais cansada de me as dar do que eu doloroso de as levar. Coisas de mãe. E podereis vós perguntar, talvez em uníssono, porque é que eu levava as tais palmadas no rabo. É simples a resposta. Eu que fazia tudo quanto eram caretas, que inventava todas as desculpas (cheguei a dizer que não podia comer peixe porque tinha uma unha que me doía no dedo mindinho), sempre que a tia Gracinda, que a sua alma esteja em descanso, fritava o chicharro cortadinho às postas, era verem-me entrar pela casa dela, comer posta atrás de posta, até quase o Zé e o Raul ficarem sem jantar. E quando a minha mãe me começava a dar as tais nalgadas, a avó Felismina, muito velhinha, fechava o punho e dizia: “deixa a criança, rapariga, tu é que mereces um soco”. Pois a tia Gracinda, apesar de me deixar comer tantas postas de chicharro quantas as que eu quisesse, fazia-me sempre a sacramental pergunta: “gostas de carapaus fritos de um dia para o outro?” E quando eu dizia que sim, o que aliás era sempre, ripostava: “então vem cá amanhã, que a tia vai fritá-los hoje”.
Nem sei porque é que me alonguei tanto, só para dizer que comi uns carapauzinhos fritos com um belo arroz de tomate hoje ao jantar. Mas amanhã, ao pequeno-almoço, é que eles me vão saber bem. Com café, de preferência feito na puta negra.
PS. A tia Gracinda era uma vizinha. Era minha tia emprestada. Era minha tia de coração. A avó Felismina era a minha terceira avó, mãe da tia Gracinda. Todos quantos, na escola ou na rua, que só tendo duas avós, me faziam chegar as lágrimas aos olhos de raiva por não acreditarem que eu tinha três avós, eram meus amigos. Mas eram invejosos. Digam lá se não eram? Eles queriam era ter uma avó Felismina como eu. Finalmente, só para esclarecer, a puta negra é aquela cafeteira, que por mais areada que fosse, nunca conseguia ficar brilhante, de tanto café fazer. Ainda não havia Scotch-Brite, nem tão pouco esfregões Bravo. Assim se vê como eu sou antigo. Sou mesmo do século passado.
Publicado por Alves Fernandes às 12:06 AM | Comentários (6)
março 11, 2005
Voltas da Vida
A vida dá muitas voltas. Quando dou por mim, vejo que a minha deu uma volta de 360º. Está tudo na mesma.
Publicado por Alves Fernandes às 01:17 PM | Comentários (5)
março 10, 2005
Vale Tudo?
Se calhar é exagero ou se calhar é ironia. Luís Sepúlveda trata-o por intelectual texano. Eu vou fazer de conta que não é ironia.
Um dia destes li algures que ao entrevistarem um menino de 10 anos em Inglaterra, lhe perguntaram se ele gosta de ter uma Rainha. O garoto respondeu que sim. E também, se ele se importaria de ter um Presidente, assim como os americanos. O miúdo respondeu: “Se fosse inteligente…”
Eu entendo que queira escrever algo anti Freitas do Amaral. Eu também não sou pró e portanto não me aquece nem me arrefece. Mas caro Dr. Pacheco Pereira, que o Abrupto (via Veritas Filia Temporis), um blog que tem o seu quê de inteligente, continue a colocar lá em cima as virtudes de Bush, valha-me Santa Engrácia. Nem eu acredito que você acredite na inteligência dele. Mas se é só para atacar o Freitas, pronto, então está bem.
Publicado por Alves Fernandes às 05:47 PM | Comentários (5)
março 08, 2005
E vocês hein?
Do que é que estão à espera de para irem lendo o PreDatado? É que sem leitores não há escrita. Ai não há, não.
Publicado por Alves Fernandes às 09:53 PM | Comentários (2)
Os dias também se abatem
Levantei-me e como de costume dirigi-me ao meu dazibao. Tenho lá pespegado recortes de jornais, fotografias, uma bandeirinha do Benfica e algumas folhas A4, impressas com um calendário de aspecto rude, apenas pequenos quadros com os meses e os dias. Não indica os sábados, os domingos, os feriados, nem os nomes dos santos, nem as fases da lua. Apenas os meses e os dias. Todas as manhãs vou ao dazibao, actualizar os recortes, colocar uma nova foto ou, simplesmente, marcar com uma cruz vermelha um número no calendário. E nesse momento que atinjo o auge da minha depressão. Novecentas e cinquenta e uma cruzes vermelhas. 951 dias sem trabalho. E como todos os dias me cabe inventar o que fazer para passar o tempo, hoje vou à papelaria comprar outra bic vermelha. Esta está a ficar sem tinta.
Publicado por Alves Fernandes às 11:08 AM | Comentários (2)
março 07, 2005
Auto crítica não é arrependimento ou burro velho não aprende latim.
“Porque é que és assim?”. Desta vez a pergunta veio de chofre de um dos botões do meu fato Armani cinza que tive de vestir esta manhã, para parecer bem. Confesso que desde que passei a usar jeans, camisa aberta e pullover, mesmo que Levis, YSL e Ralph Laurent e me juntei aos que votam no BE, sempre pensei que os meus fatos Armani e Pierre Cardin não voltariam a ser usados e estariam condenados ao bafio e à traça.
De repente pensei que ele me estava a chamar vaidoso, uma vez que eu estava em frente ao espelho (este mudo e quedo, contra o que lhe é habitual, embora atento), de frente e de costas, diga-se de passagem, para ver se tudo estava nos conformes. Eu, meio ingenuamente, ainda balbuciei: “Não gostaste de sair do armário?”.
Foi então, que percebendo que eu não percebi, espero que percebam o resto da história passe o excesso de “percebes”, ele começou o sermão e a missa cantada.
“És mesmo um grandessíssimo espírito de contradição. Vês as coisas do dia a dia, o que passa nas televisões e nos jornais, o que ouves no café e no comboio, o que dizem os teus filhos, a tua mulher, os teus amigos e quase tudo te merece um comentário, uma observação e não raras vezes uma crítica. E é aqui que reside o motivo da minha pergunta. Quando alguém, na tua esfera do conhecimento ou da percepção, critica, tu, sim tu não negues, fazes contra-crítica. O pior é que na maioria das vezes fazes isto a quem tu mais gostas, por quem tens mais consideração, só por causa daquele bichinho da discussão, do aprofundamento dos conceitos, das análises conceptuais, da busca da razão, por vezes não unívoca”.
“Mas quem és tu botão de um vulgar Armani para me criticares?”
“Ninguém! Ninguém, se já nem tu, AF, me reconheces”. Dito isto meteu-se em casa. Eu saí.
PS. O primeiro parágrafo é para dedicar à minha afilhada que é uma Lili da melhor espécie. Assim uma Josefina Castelo-Branco. O segundo é para o meu alter-ego que tem uns espelhos conversadores. Finalmente o resto do texto, alguns bloggers que comento, entendem-no.
Publicado por Alves Fernandes às 08:07 PM | Comentários (3)
março 06, 2005
Notas… que não são de conto.
1. Esta semana, interrogado por um jornalista espanhol sobre o facto de ter saído como adjunto de Robson e ser hoje o melhor treinador do mundo, José Mourinho respondeu:
“É bom. É sinal que evoluí. É pena é que você continue na mesma e não tenha passado disso.” (as palavras são mais o menos estas).
De facto, este jornalista é espanhol. Não haverá jornalistas portugueses que se revejam? Vão apenas dizer que Mourinho foi “arrogante como é costume”?
2. Há dois candidatos à presidência do PSD. Marques Mendes e Luís Filipe Menezes são tipos corajosos. Durante quatro anos um deles, o que vier a ser presidente, vai enfrentar umas autárquicas com o PS em estado de graça, umas presidenciais sob o signo de Cavaco, não-Cavaco, assistindo impávido e sereno à vitória de António Vitorino. No congresso, que certamente haverá antes das próximas legislativas, um abutre ou um urubu sairá das trevas para comer os restos. Honra seja feita aos corajosos. Os outros não valem nada.
3. O governo foi apresentado sem pompa, apenas com circunstância. Oito independentes, num governo PS de dezasseis ministros, cheira-me a esturro. “Lobies dixit”. Não vou dizer que não seja um governo de esquerda (malgré Pinho, Cunha e Freitas), mas a ala esquerda do PS não está lá. Vamos conceder algum benefício da dúvida. Pior que Santana Lopes não acredito, não acredito mesmo.
4. Na blogosfera falou-se muito do Papa. Alguns ironicamente, irreverentemente ou convictamente falaram da situação da saúde do Papa. Eu, depois das decisões que o Vaticano tem tomado do ‘vai à janela’, ‘não vai à janela’, ‘fala ele ou porta voz’ e por aí fora, só espero que o próprio Vaticano não decida transmitir a morte do Papa em directo. Sem qualquer ponta de ironia. Chame-se ele João Paulo ou tenha qualquer outro nome público ou não, a dignidade do ser humano deve sempre ser superior aos interesses. Obviamente que esta posição é minoritária.
5. Um tal padre Serras Pereira publicou um anúncio pago (ai como eu gostaria de ser padre para ter dinheiro assim), com umas soberbas aleivosias no que respeita ao direito à vida. Na entrevista que ouvi, o jornalista não lhe fez a seguinte pergunta: “Se um confesso assassino lhe confessasse que não só era assassino mas que iria continuar a matar, denunciá-lo-ía às autoridades?”. Gostaria de ver um tipo, hipócrita como este, refugiar-se na sagrada lei católica do segredo da confissão e justificar a defesa da vida ao mesmo tempo. Bem, mas isto é só especulação. Os jornalistas não lhe perguntaram. Se calhar vão perguntar ao Mourinho, como é que um tradutor de Robson é hoje o melhor treinador do mundo.
Publicado por Alves Fernandes às 12:08 AM | Comentários (7)
março 03, 2005
Só uma opinião
José Pacheco Pereira escreve hoje, no jornal Público, uma interessante mensagem para o seu partido a que, creio, mais cedo ou mais tarde irá fazer referência no Abrupto.
Começa o artigo com uma curiosa pergunta (cito) “E se no PSD se experimentasse discutir um pouco de política?”. A questão até seria interessante se o PSD fosse um partido com ideologia. Mas já lá vou.
Ainda no mesmo parágrafo (volto a citar) “As pessoas são importantes, mas as políticas são mais.”.
Sendo eu estranho ao PSD tenho uma visão do mesmo como um partido de pessoas. Onde efectivamente as pessoas sempre foram mais importantes do que as políticas. Não sei se ainda há tempo para inverter a coisa, nem tão pouco se é oportuno ou ainda se, no PSD isso é desejável. Sempre me habituei ao Sá-Carneirismo, ao Cavaquismo, ao escasso Nogueirismo, ao Barrosismo e ultimamente ao Santanismo. Isto é, o PSD é um partido onde a política é a dos seus líderes e onde as pessoas se encaixam consoante os benefícios que podem retirar de uma maior ou menor aproximação aos chefes. E um partido cuja ideologia assenta nos –ismos que internamente se vão gerando. Definitivamente é um partido onde sempre foram mais importantes as pessoas do que as políticas.
E aqui retorno à primeira questão. Discutir um pouco de política? Num partido ideologicamente órfão? Ao contrário das principais democracias europeias, Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Itália, entre outras é fácil perceber o espaço ideológico dos principais partidos “de governo”. Os confrontos fazem-se entre socialistas (trabalhistas / sociais-democratas) e conservadores (democratas-cristãos / neo-liberais), cujas teses de argumentação política e actuação social assentam em ideologias-tipo, fundamentais para o discurso e a discussão política. Quando um partido aparece, como apareceu em Portugal o PPD, actual PSD, num espaço político indefinido, querendo ser à esquerda a consciência crítica para os “desvios socialistas” de um partido socialista ou à direita um eventual travão aos “desvios nacionalistas” de um partido da direita democrata-cristã, não lhe resta mais do que ser um partido de pessoas, onde a discussão política, como acho entender do propósito de Pacheco Pereira, tem um espaço limitado. Na verdade eu próprio, e talvez pelas minhas próprias limitações de conhecimento, não percebo muito bem a existência do PSD no campo político-ideológico. Já no campo das pessoas e dos benefícios que disso podem advir, eu entendo. Ah se entendo!
Publicado por Alves Fernandes às 01:00 PM | Comentários (0)
março 02, 2005
Jornalismo Criminoso
Estou, no momento em que escrevo o texto, a ver uma reportagem no Jornal da Noite da TVI sobre hackers. Hackers que utilizam os cartões de crédito, utilizados em operações menos seguras, para fazerem transacções em proveito próprio. Outros para alterarem sites, outros para acederem a pornografia on-line. Uma reportagem de interesse público questionável, já que o conhecimento destes casos é generalizado, embora se possa reconhecer algum interesse jornalístico. A troco de eventuais audiências é protegida a identidade é-se cúmplice dos criminosos. Após a reportagem, e ao abrigo da inquestionável ética jornalística, não será possível revelar as fontes. Ora este tipo de jornalistas, chamados de investigação e que eu apelido de cúmplices e coniventes com o crime, não fariam um melhor serviço à sociedade se em vez de uma reportagem televisiva denunciassem os “ladrões” às autoridades?
Sei que pareço um ladrão.
Mas há outros que eu conheço,
Que não parecendo o que são
São aquilo que eu pareço.
António Aleixo, poeta popular.
Publicado por Alves Fernandes às 09:20 PM | Comentários (3)