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março 07, 2005

Auto crítica não é arrependimento ou burro velho não aprende latim.

“Porque é que és assim?”. Desta vez a pergunta veio de chofre de um dos botões do meu fato Armani cinza que tive de vestir esta manhã, para parecer bem. Confesso que desde que passei a usar jeans, camisa aberta e pullover, mesmo que Levis, YSL e Ralph Laurent e me juntei aos que votam no BE, sempre pensei que os meus fatos Armani e Pierre Cardin não voltariam a ser usados e estariam condenados ao bafio e à traça.

De repente pensei que ele me estava a chamar vaidoso, uma vez que eu estava em frente ao espelho (este mudo e quedo, contra o que lhe é habitual, embora atento), de frente e de costas, diga-se de passagem, para ver se tudo estava nos conformes. Eu, meio ingenuamente, ainda balbuciei: “Não gostaste de sair do armário?”.

Foi então, que percebendo que eu não percebi, espero que percebam o resto da história passe o excesso de “percebes”, ele começou o sermão e a missa cantada.
“És mesmo um grandessíssimo espírito de contradição. Vês as coisas do dia a dia, o que passa nas televisões e nos jornais, o que ouves no café e no comboio, o que dizem os teus filhos, a tua mulher, os teus amigos e quase tudo te merece um comentário, uma observação e não raras vezes uma crítica. E é aqui que reside o motivo da minha pergunta. Quando alguém, na tua esfera do conhecimento ou da percepção, critica, tu, sim tu não negues, fazes contra-crítica. O pior é que na maioria das vezes fazes isto a quem tu mais gostas, por quem tens mais consideração, só por causa daquele bichinho da discussão, do aprofundamento dos conceitos, das análises conceptuais, da busca da razão, por vezes não unívoca”.

“Mas quem és tu botão de um vulgar Armani para me criticares?”
“Ninguém! Ninguém, se já nem tu, AF, me reconheces”. Dito isto meteu-se em casa. Eu saí.


PS. O primeiro parágrafo é para dedicar à minha afilhada que é uma Lili da melhor espécie. Assim uma Josefina Castelo-Branco. O segundo é para o meu alter-ego que tem uns espelhos conversadores. Finalmente o resto do texto, alguns bloggers que comento, entendem-no.

Publicado por Alves Fernandes às março 7, 2005 08:07 PM

Comentários

Ah, o bichinho da discussão... Às vezes para nada, é certo. Mas tantas vezes para se chegar a algum lado. Deixemo-lo roer.

Publicado por: a_vizinha em março 8, 2005 10:42 AM

não, não entendi! Ele ficou e você saiu? Nu?
Um ato dde represália contra a alta costura italiana ou contra a rainha-má da Branca de Neve, aquela que também conversava com o espelho?
Tenho muitas dúvidas...
De qualquer forma, um abraço. E, se quiser ler um bom livro, leia o Homem Nu , do Fernando Sabino.
E pare de falar com espelhos. Eles, apesar do que muita gente pensa, não são dados à reflexões...

Publicado por: maray em março 8, 2005 04:19 PM

:).Sempre disse que as melhores conversas são aquelas em que se conversa sobre nada:).Super!

Publicado por: annie hall em março 9, 2005 10:05 AM