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janeiro 25, 2005

Sai crónica!

Não resisti. Mal cheguei à Covilhã, entrei na loja da Adega Cooperativa e comprei vinho da garrafeira do sócio.

As morcelas, as chouriças e o entrecosto, que o Rui grelhou, estavam divinais. Não sei qual a região portuguesa de onde é originário o magusto. Enquanto eles cortavam as couves e elas a broa, eu tirei fotografias. Mas como o trabalho toca a todos eu fui enchendo os jarros de vinho tinto caseiro.

Quando, à mesa, uma delas alvitrou “ e se parássemos de falar de futebol” eu concordei. Eu sugeri que “falássemos de hóquei em patins”. Parecia eu que adivinhava a “sova” que o Beira-Mar me ía dar nessa noite. E acreditam? Em dez, um é beira-marista. Cagaréu de gema. Tive de levar com ele. Paciência…

Um passeio a pé de dois quilómetros para tomar café. Quer dizer, quatro, dois para cada lado. Quem me manda a mim ter amigos incondicionais de desportos radicais?

Um cabrito assado no forno com arroz de miúdos. Parece que só fazem por encomenda. Em Erada (na estrada de Tortosendo para Unhais da Serra, corta-se em direcção ao Paul e encontra-se a dita terra; tanto quanto me consigo lembrar dos caminhos à noite).

Uma noite de karaoke. Essa é a verdadeira razão para não ter vindo mais cedo ao blog. Estou demasiado rouco para escrever à máquina.

Três graus negativos no Ferro. Nunca tinha visto o meu carro com uma camada de gelo tão espessa em cima. Mas a lua estava linda. Quase cheia e um anel de luz à volta. Se não estivesse tão rouco diria aqui que era uma noite magnífica para amar. Quem foi que me convenceu que eu sabia cantar o My Way?

Os meus companheiros e eu não alinhamos todos pelo mesmo diapasão político. Mas falamos da coisa pública. Acabamos quase sempre a rir mas desta vez ficámos com uma dúvida existencial. Mas é mesmo aquele actor, como é que se chama, deixa cá ver qualquer coisa infante? Sei lá, as nossas conversas sobre política têm sempre de abardanar.

Também rimos muito com aquela história do há debate, não há debate. É tão importante para o país, dias e dias com o gajo vai ou o gajo não vai debater com os outros. Os programas de governo que se lixem. Também, toda a gente sabe que não são para cumprir, não é?

Desculpem lá esta intromissão na política. Eu até estou rouco, não posso falar nos comícios.

Domingo Turístico pela Beira Interior. Sortelha, Sabugal, Guarda, Belmonte. Não deu tempo para mais, mas valeu a pena. Encontramos a Viscondessa de S. Sebastião (também Viscondessa de Sortelha). Descendente de Vega e de Velásquez. Uma Sevilhana, que tenho aqui que escrever com S grande, porque ao contrário da gente que estamos sempre a falar mal de nós, ela falou tão bem de Portugal e dos Portugueses que até me babei. Uma verdadeira Lady no trato, e um portento de comunicação. Deverá ter já perto de 80 anos. Mas ficar numa loja de antiguidades em pé, mais de uma hora a escutar a senhora, só se for mesmo por gosto. Não sei se senhora era a peça mais antiga que lá estava, mas se não era histórica, deu-nos uma lição de História. Bravo!

Porque é que desde que li o CdV passo o tempo a olhar para o ar nas igrejas e catedrais? Pois é por isso mesmo, por causa da chave da abóbada. Além disso comecei a interessar-me por arquitectura “Templária”. A Sé da Guarda, para quem não a conhece ainda, é uma obra recomendável. A porta é que é pequena, mas isso são outros quinhentos.

Não são nada. Conto já aqui. Reza a lenda que, o arquitecto chefe, no dia da sua inauguração, subiu ao ponto mais alto da Catedral e afirmou: “Se alguém encontrar um só defeito nesta construção, atiro-me daqui a baixo”. No meio da multidão uma velhinha berrou “a porta é pequena”. Pimba! Lá veio o homem de cabeça.

E pronto, acabou a crónica, vou chupar uma pastilha para poder cantarolar aiiiiii é amor, ai ai ai é amor, é amor. Sem karaoke, só porque eu gosto de vocês.

Publicado por Alves Fernandes às janeiro 25, 2005 01:01 PM

Comentários

Estou a fazer o comentário na minha hora de almoço. É de um sadismo atroz quando falas de comida tão boa e eu estou a comer um reles sandes de queijo.
Um abraço. Augusto

Publicado por: augustoM em janeiro 25, 2005 01:59 PM

Devias ter-te aventurado um pouco mais e chegado a TRANCOSO. Lá poderias ver um Castelo com muralhas e uma capelinha onde o Rei D. Diniz casou com a Santa Isabel. Entre outras coisas...

Toma nota e não esqueças. :)

Publicado por: Papo-seco em janeiro 25, 2005 02:24 PM

Uns pontos já sabia outros imaginava,mas estava a ficar preocupada por não haver blog, está tudo explicado mas não digas que a culpa foi do Frank
bjs

Publicado por: trilh em janeiro 25, 2005 02:28 PM