« dezembro 2004 | Entrada | fevereiro 2005 »
janeiro 29, 2005
Se eu soubesse pintar...
...pintaria este pôr-do-sol numa tela de linho. E cobrir-me-ía com ela, contigo, e saborearíamos as cores, e beberíamos o Sol, numa cumplicidade de luz.

Mas como às minhas mãos não foi dado tal engenho, partirei de madrugada e irei ver nascer o sol. Não farei barulho para te não acordar. Quero que usufruas todo o calor que te deixarei nos lençois.
PS. Esta foto foi tirada em Belmonte, 23-01-2005 por mim próprio e hoje tive vontade de a partilhar convosco mas, perdoem-me a franqueza, oferecê-la ao amor da minha vida, a minha Maria.
Publicado por Alves Fernandes às 08:13 PM | Comentários (15)
Questão de nacionalidade
Pires de Lima afirmou ontem:
"Que ninguém fique em casa no dia 20 de Fevereiro. Os portugueses não irão permitir que os comunistas e a extrema-esquerda tenham um voto a mais do que o CDS"
O Arquivo de Identificação de Lisboa, desde há 49 que deve andar enganado a passar-me um BI com nacionalidade portuguesa. Quer dizer, eu por mim "permitirei" que os comunistas e a extrema-esquerda tenham um voto a mais que o CDS. Se calhar não sou português.
Publicado por Alves Fernandes às 03:02 PM | Comentários (5)
janeiro 28, 2005
Desejos
Desejem-me boa sorte. Se a vier a ter depois falaremos mais sobre o assunto.
Publicado por Alves Fernandes às 03:50 PM | Comentários (3)
janeiro 27, 2005
Cyber conversas ou bate-papo em inglês
Eu e o Bazaroco
Vitor says:
ty
DoART says:
yw
Vitor says:
c u
DoART says:
gb
Vitor says:
b b
DoART says:
arroz
Vitor says:
chines
E assim terminou a conversa.
Publicado por Alves Fernandes às 11:42 PM | Comentários (7)
janeiro 25, 2005
Comentários ou não comentários
That’s not the question. That’s just a question.
A propósito da eliminação de comentários no blog da Vieira e do seguimento da Catarina. Uma pequena história, bem despretensiosa.
Sempre tive medo de cães. Ou quase sempre, pois hoje em dia já não me causam o pavor que me causavam. Quando desconfio circundo. Se for na estrada evito-os, passo para o outro lado do passeio. Mas nem sempre foi assim. Ficava paralisado, pensava eu que era para pensar mas não pensava coisa nenhuma. Até o pensamento parava. Quando ressuscitava do transe, fugia. Às vezes era pior, perseguiam-me e eu sempre que podia escondia-me. Não me recordo se alguma vez borrei as cuecas. Certo dia desembarquei em Algeciras. Compras para aqui e compras para acolá, há sempre alguma coisa que um embarcadiço se esquece de comprar. Foi o que aconteceu ao colega que me acompanhava. Deixou-me sozinho no cais e ía sendo o fim. A “besta” aproximou-se de mim, correndo a alta velocidade, dente afiado e lançou-se. O meu grito de pavor fez-se ecoar por todo cais abafando o ruído dos motores dos navios, as sirenes dos paquetes, o movimento dos estivadores, o chiar das gruas. O cão caiu ao meu lado, pois tive tempo de me desviar. E fugiu. Penso que desta vez quem entrou em pânico foi ele. Hoje sou capaz de enfrentar qualquer animal.
Publicado por Alves Fernandes às 08:21 PM | Comentários (12)
Aceito o desafio da toys FAQ
Já vi o desafio na Robina e na Gotinha. Mas quem me provocou foi o Kalvin.
1 Have you ever used toys or other things during sex?
Acho que foi assim que ganhei os meus primeiros soldadinhos de chumbo. Os pais sexavam e eu toyzava. Só que eu não sabia. Se calhar era por isso que eu tinha soldadinhos que se riam.
2 Would you consider using dildos or other sexual toys in the future?
Ahhhhhhhhhhh! Era de sexual toys que se estava a falar? Assim está bem. Vou comprar a Barbie e o Ken, para ver se os gajos trica-tricam sozinhos.
3 What is your kinkiest fantasy you have yet to realize?
Ver os soldadinhos vermelhos trica-tricarem os soldadinhos verdes. Mas como as coisas andam na 2ª circular só mesmo por fantasia.
4 Who gave you this dildo?
Foi o Kalvin. Acho que ele já não brinca com soldadinhos de chumbo.
5 Who are the ones to receive this dildo from you?
Cá para mim gostava de saber como é que estes meninos e meninas brincam aos papás sem mamãs e às mamãs sem papás:
Publicado por Alves Fernandes às 02:39 PM | Comentários (8)
Sai crónica!
Não resisti. Mal cheguei à Covilhã, entrei na loja da Adega Cooperativa e comprei vinho da garrafeira do sócio.
As morcelas, as chouriças e o entrecosto, que o Rui grelhou, estavam divinais. Não sei qual a região portuguesa de onde é originário o magusto. Enquanto eles cortavam as couves e elas a broa, eu tirei fotografias. Mas como o trabalho toca a todos eu fui enchendo os jarros de vinho tinto caseiro.
Quando, à mesa, uma delas alvitrou “ e se parássemos de falar de futebol” eu concordei. Eu sugeri que “falássemos de hóquei em patins”. Parecia eu que adivinhava a “sova” que o Beira-Mar me ía dar nessa noite. E acreditam? Em dez, um é beira-marista. Cagaréu de gema. Tive de levar com ele. Paciência…
Um passeio a pé de dois quilómetros para tomar café. Quer dizer, quatro, dois para cada lado. Quem me manda a mim ter amigos incondicionais de desportos radicais?
Um cabrito assado no forno com arroz de miúdos. Parece que só fazem por encomenda. Em Erada (na estrada de Tortosendo para Unhais da Serra, corta-se em direcção ao Paul e encontra-se a dita terra; tanto quanto me consigo lembrar dos caminhos à noite).
Uma noite de karaoke. Essa é a verdadeira razão para não ter vindo mais cedo ao blog. Estou demasiado rouco para escrever à máquina.
Três graus negativos no Ferro. Nunca tinha visto o meu carro com uma camada de gelo tão espessa em cima. Mas a lua estava linda. Quase cheia e um anel de luz à volta. Se não estivesse tão rouco diria aqui que era uma noite magnífica para amar. Quem foi que me convenceu que eu sabia cantar o My Way?
Os meus companheiros e eu não alinhamos todos pelo mesmo diapasão político. Mas falamos da coisa pública. Acabamos quase sempre a rir mas desta vez ficámos com uma dúvida existencial. Mas é mesmo aquele actor, como é que se chama, deixa cá ver qualquer coisa infante? Sei lá, as nossas conversas sobre política têm sempre de abardanar.
Também rimos muito com aquela história do há debate, não há debate. É tão importante para o país, dias e dias com o gajo vai ou o gajo não vai debater com os outros. Os programas de governo que se lixem. Também, toda a gente sabe que não são para cumprir, não é?
Desculpem lá esta intromissão na política. Eu até estou rouco, não posso falar nos comícios.
Domingo Turístico pela Beira Interior. Sortelha, Sabugal, Guarda, Belmonte. Não deu tempo para mais, mas valeu a pena. Encontramos a Viscondessa de S. Sebastião (também Viscondessa de Sortelha). Descendente de Vega e de Velásquez. Uma Sevilhana, que tenho aqui que escrever com S grande, porque ao contrário da gente que estamos sempre a falar mal de nós, ela falou tão bem de Portugal e dos Portugueses que até me babei. Uma verdadeira Lady no trato, e um portento de comunicação. Deverá ter já perto de 80 anos. Mas ficar numa loja de antiguidades em pé, mais de uma hora a escutar a senhora, só se for mesmo por gosto. Não sei se senhora era a peça mais antiga que lá estava, mas se não era histórica, deu-nos uma lição de História. Bravo!
Porque é que desde que li o CdV passo o tempo a olhar para o ar nas igrejas e catedrais? Pois é por isso mesmo, por causa da chave da abóbada. Além disso comecei a interessar-me por arquitectura “Templária”. A Sé da Guarda, para quem não a conhece ainda, é uma obra recomendável. A porta é que é pequena, mas isso são outros quinhentos.
Não são nada. Conto já aqui. Reza a lenda que, o arquitecto chefe, no dia da sua inauguração, subiu ao ponto mais alto da Catedral e afirmou: “Se alguém encontrar um só defeito nesta construção, atiro-me daqui a baixo”. No meio da multidão uma velhinha berrou “a porta é pequena”. Pimba! Lá veio o homem de cabeça.
E pronto, acabou a crónica, vou chupar uma pastilha para poder cantarolar aiiiiii é amor, ai ai ai é amor, é amor. Sem karaoke, só porque eu gosto de vocês.
Publicado por Alves Fernandes às 01:01 PM | Comentários (3)
janeiro 21, 2005
Pais e outras lamechices
Este fim-de-semana irei passá-lo à Covilhã. Irei mais a minha mulher e quatro outros casais. Conhecemo-nos todos há mais de 30 anos e de vez em quando reunimo-nos. Primeiro só cinco: os manfios. Depois, dez: manfios e respectivas caras-metade. Algumas vezes 20. Cada um de nós com dois filhos, acabamos por quadruplicar a tropa inicial. Este fim-de-semana os filhos ficam em casa. Por acaso. “Não posso, tenho exames para a semana”. “Não posso, já combinei com a minha namorada”. “Este fim-de-semana não dá jeito nenhum, temos um jogo de futebol”. “Se a Joana e a Rita não podem o que é que vou para lá fazer?”, pergunta a Ana. A realidade (nua e crua), é que as formigas já têm catarro e, portanto, andar com os cotas, é grupo. No entanto também não é tão mau como isso. Podemos fazer todos os disparates do mundo sem eles, mais tarde, “cala-te, cala-te que tu és pior, que eu bem vi”. Cobranças à parte, uns minutos de liberdade também é bom, não é? Na verdade, ainda não parti e já estou com saudades das “crianças”.
Publicado por Alves Fernandes às 05:40 PM | Comentários (14)
Coisas
Ontem vi Lisboa acordar. Sentado algures numa pedra, à beira-rio, vi as gruas do cais revelarem-se; aos poucos notei que os Jerónimos não dormiram abraçados ao rio, que a ponte bocejou quando o silêncio se fez ruído, que a Torre de Belém se espreguiçou e que o Terreiro do Paço lavou a cara nas mansas águas do Tejo. Só, ou quase, com as gaivotas por companhia. Lá longe, um pequeno barco rasgava a remo cristas de espuma.
À noite, dancei com Jeniffer Lopez fazendo roer de inveja o Richard.
É melhor parar aqui… estou a exagerar o meu romantismo.
PS. A propósito, amanhã comprarei uma orquídea. Eu sei que vais gostar.
Publicado por Alves Fernandes às 01:21 AM | Comentários (5)
janeiro 19, 2005
Morte e Vida
Hoje, em 1982 morria Elis Regina. De overdose fazendo jus à overdose de voz, música, encanto, gingo que nos proporcionou. Viajou no seu Trem Azul até à Brotolândia. Alguém a quis levar de Arrastão como se fosse uma Madalena. Mas deixou-nos (os meus filhos se a conhecessem diriam, uma Casa de Campo), deixou-nos as Águas de Março como se fosse a Ponta de Areia. Hoje apesar de parecer que já estão as Folhas Secas choro Elis, essa Mulher. Saravah Elis!
Hoje, em 1923 nasceu Eugénio de Andrade. Faz 82 anos. Parabéns. Nas suas Mãos e os Frutos, ou das suas mãos os frutos da mais bela poesia contemporânea. Eu sei que ele tem Memória de Outro Rio, talvez alguma que nos falte, e tem o Sal na Língua, mas não olvido Alentejo. Ler os seus poemas é como matar os meus Sulcos da Sede. Bem haja, meu caro Eugénio!
Publicado por Alves Fernandes às 05:52 PM | Comentários (6)
janeiro 18, 2005
Tempo de Eleições – Tempo de Reflexão
Hoje numa completamente séria, há que fazer opções. Assim para começar a sentir o pulso das minhas leitoras e leitores vou fazer uma sondagem:
Quem ache que eu deva continuar a escrever o livro policial, vote: PS (Policial Sim).
Quem ache que eu deva, antes, escrever um livro erótico-pornografico, vote: BE (Bem Esgalhadinho).
Quem ache que eu deva apenas apimentar um pouco os meus textos, vote: PCP (Posts Com Picante)
Quem ache que eu deva dedicar-me a beijar peixeiras, vote CDS (Carapaus, Douradas e Sardinhas)
Quem ache que deva ficar paradinho porque esta caca não vale nada, vote: PSD (Podias Sair Daqui)
Quem ache que eu deva ir ao médico a ver se me trato da pancada, vote: VF (poderia ser Vítor Fernandes, mas neste caso é mesmo Vai-te F***r).
Publicado por Alves Fernandes às 10:31 PM | Comentários (11)
Chevrolet
- É o senhor Douglas H. Smith?
- Sim sou eu.
- Esteve em La Jolla, San Diego, CA em 23 de Dezembro?
- Confirmo.
- Entrou no Inns à procura de um amigo cujo nome segredou ao empregado da recepção?
- É verdade, fui jantar com ele.
- Sabe porque é que foi só encomendado um jantar nessa noite?
- Não faço ideia. Também estranhei o facto.
- Alugou uma Chivrolet Uplander no dia 20 de Janeiro?
- Não. Tenho carro próprio, novo, não necessito alugar nenhuma viatura.
O polícia mostrou-lhe os documentos da Aviz. Todos os elementos coincidiam com a sua identidade. Inclusive a assinatura era a dele. O corpo de Christine tinha sido encontrado na mala da referida viatura. Não havia hipótese de erro.
- Considere-se detido por suspeita de homicídio. Vou-lhe ler os seus direitos. Na secretária em frente tem um telefone. Pode contactar o seu advogado.
Publicado por Alves Fernandes às 04:35 PM | Comentários (0)
janeiro 17, 2005
Mi - you - zique
Sentas-te no sofá para “ver” TV que é como quem diz para tirar uma soneca. Depois o filho chega com a viola. Começa com Jorge Palma, vai passando por Cat Stevens numa sequência como se fosse um wild world, numa mistura com Bob Dylan. Ben E. King também apareceu. E os Credence cantam Moon Rising e Proud Mary. Com pezinhos de lã, aproxima-se Roger Waters que diz que wish you are here. O pai lembra-lhe que é fan dos Marillion e põe uma abertura do Misplaced Childhood. Ficamos só a ouvir. Volta a viola, uma mais anos 90 e outra dois miles, depois os sixties e os Beatles. Ou mais à frente os REM.
Um serão musical familiar é uma Religião. A não perder. Sinto-me a horse with no name. I need you music!
Publicado por Alves Fernandes às 11:41 PM | Comentários (6)
Alarmes
Há gajos que gostam de colocar alarmes nas casas. Acho bem. Toca o alarme, o ladrão pira-se, chega a polícia ou o dono da casa para quem foi enviado um SMS para o telemóvel, vai ver os estragos, chama a polícia de novo, faz o inventário, se por acaso o ladrão até não se pirou logo, recebe a massa do seguro, etc, etc, etc. Tudo bem.
Mas a alguns só me apetece mandá-los tomar no cú. Assim, no mais vernáculo do português vicentino. Desde as 8 da manhã que o filho da puta do alarme aqui ao lado não para de tocar. Já tenho os miolos a rebentarem.
Publicado por Alves Fernandes às 02:51 PM | Comentários (3)
TV
Ele há coisas do caraças. Só vejo TV (o só, aqui, é meio exagerado, mas enfim), para ver futebol e notícias. Mais notícias do que futebol em abono da verdade. Sempre que tento ver algo diferente, adormeço. Então não é que me deu na cabeça comprar um plasma? Fiquei o fim-de-semana todo em frente à TV. A ver futebol e notícias. E a dormir, claro.
Publicado por Alves Fernandes às 02:46 PM | Comentários (0)
janeiro 14, 2005
Sou tão infeliz… buáaááááá
1. Os meus leitores não me ligam a mínima quando eu escrevo um post de carácter político. Apenas quatro deram opinião sobre um tema tão actual quanto são as eleições e, na minha óptica claro, tão controverso quanto é o facto de o país pertencer à cauda da Europa graças à política desastrosa dos mesmos, sempre dos mesmos (PS/PSD/CDS).
2. Hoje fui visitado por 40 vezes. Não sei se 40 leitores ou se algum repetiu. O que quer dizer que, mais coisa menos coisa, fui lido por quem gosta de vir aqui à minha casa. Os restantes 30 que vêem por aqui, vêm por contrapartida às minhas visitas. Quer dizer, se vêem no sitemeter que eu lá estive “deixa cá fazer um hit neste gajo”.
3. Não sei onde é que o meu Benfica consegue dinheiro para pagar à Bola, Record e Jogo pelos jogadores que estes jornais já colocaram no clube desde Dezembro. Isso é que é vender, vilanagem.
4. A minha Maria telefonou-me para ir ter com ela ao Almada Fórum. É a contrapartida de ter algo para jantar hoje. Lá vou fazer o sacrifício de ir a um centro comercial porque a barriguinha não pode pagar as favas.
Sou mesmo infeliz!
Publicado por Alves Fernandes às 07:10 PM | Comentários (13)
Produtividade
in Abrupto hoje
Não é por acaso que os japoneses têm a opinião que têm sobre a produtividade na América. Tenho tanta pena que Akio Morita já tenha morrido!
Publicado por Alves Fernandes às 07:06 PM | Comentários (1)
janeiro 12, 2005
Do que é que nos queixamos?
Todos os dias assistimos a um arraial de queixas dos portugueses. Manifestamo-nos porque queremos que a nossa cidade suba a Concelho. Fazemos vigílias à porta da fábrica porque o patrão fugiu e temos medo que nos roubem as máquinas. Não somos colocados nas escolas ou somo-lo tardiamente e mesmo assim mal colocados. E, porque os nossos professores não são colocados, queixamo-nos porque não temos aulas ou os nossos filhos não as têm. Fomos despedidos colectivamente ou sem justa causa ou terminamos o curso e não temos emprego. Se temos mais de 40 anos não nos podemos reformar porque somos muito novos nem nos podemos empregar porque somos muito velhos. Queixamo-nos à polícia porque fomos vítima de assalto e desatamos a barafustar porque mesmo aqui à porta há um super-mercado de droga. Estamos há mais de 2 anos numa lista de espera para uma operação ou há 4 meses para uma consulta de especialidade. Somos dois milhões no limiar da pobreza, recebemos pensões de miséria e o nosso salário médio é metade do país mais próximo da união europeia. Reclamamos porque o nosso primeiro-ministro emprestou os Açores para a cimeira da guerra e somos até, vejam bem, contra a guerra. Não queremos incineração nem co-incineração de resíduos tóxicos e por isso saímos à rua em Setúbal e em Coimbra. Achamos que não se protege a floresta, não se limpa, não de dotam os bombeiros nem com planos, nem com meios suficientes para o combate aos incêndios. Barafustamos porque um ministro faz uma viagem em avião privado. Queixamo-nos da má construção das vias rodoviárias que matam, por ano, um número inusitado de pessoas. Estamos contra o congelamento dos salários enquanto a inflação não nos perdoa todos os anos. Não temos uma verdadeira política de educação, de saúde, de ambiente, de finanças públicas, de justiça e compramos helicópteros com defeito. A nossa frota pesqueira já era e compramos nas lotas de Vigo ou outras cidades a melhor preço. Barafustamos contra a construção desenfreada na costa algarvia, contra a especulação imobiliária sem escrúpulos, contra as violações dos PDMs, contra a corrupção na GNR em benefício dos construtores civis. Achamos que os ricos e poderosos não são julgados em igualdade de circunstâncias com os restantes cidadãos. Há até quem diga que há fugas ao fisco, fraudes fiscais, protecções aos off-shores. Manifestamo-nos contra o Código do Trabalho e levantamos bandeiras negras contra a fome.
E no entanto, nos últimos 30 anos, mais de 85%, sim mais de 85% dos votos válidos dos portugueses meteram no governo, alternadamente ou em conjunto, o PSD (9 governos), o PS (5 governos) e o CDS (6 governos). São estes partidos e os seus 85% de apoiantes que têm mantido o país neste estado de coisas. E no entanto os portugueses queixam-se. Mas queixam-se de quê?
Publicado por Alves Fernandes às 10:36 PM | Comentários (7)
Hehehehe, galheteiros!
E aquela fotografia que eu tenho, com o M. ao meio e eu e o J., baixinho como eu, cada um a um dos lados do M., tal e qual um galheteiro, também vai ter de ser substituída por uma fotografia descartável? Ou será que a lei não contempla este tipo de galheteiros?
Publicado por Alves Fernandes às 09:07 PM | Comentários (0)
A preparação
De vez em quando, denotando um nervosismo que não lhe era habitual, olhava para o relógio. Douglas, o seu amigo de infância, tinha aceite o convite para jantar e chegado havia mais de dez minutos, beberricava um scotch on the rocks enquanto falava das partidas que faziam aos professores.
- Lembras-te daquele Carnaval em que rebentamos uma bombinha de mau cheiro na cadeira da professora de história?
Ele não lhe respondeu. Continuava sentado no sofá à beira do telefone, à espera do momento exacto para lhe pegar.
- E o reitor, para castigo, mandou comprar mais três e fechou-nos na sala durante uma hora. – Deu uma gargalhada.
Pegou no telefone quebrando o discurso ao companheiro.
- Pode servir o jantar – disse para a recepção – Não esqueça o frapé do champanhe. Não quero que aconteça como da última vez, ralhou. E, virando-se para o companheiro, recomendou:
- Douglas, quando baterem, pede para o tipo deixar o carrinho à porta. Quando ouvires passos do paquete a afastar-se vai e trá-lo para dentro. Estou farto de gastar dinheiro em gorjetas. Chupistas! Eu vou tomar um duche.
Dirigiu-se à casa de banho do quarto do hotel onde se tinha instalado. Antes de entrar, ainda teve tempo de se virar para o amigo e repetir, enquanto lhe dava uma piscadela de olho:
- Chupistas!
A água corria abundantemente. Pela fresta da porta um vapor quente inundava paulatinamente o quarto.
Publicado por Alves Fernandes às 05:27 PM | Comentários (4)
janeiro 11, 2005
Rir de quê?
Que chatice, pá. Morais Sarmento pediu a demissão ao demitido primeiro-ministro. Não havia necessidade. Ainda bem que Santana Lopes não aceitou senão corríamos o risco de chegar a Fevereiro com os Monty Phyton desfeitos. E iríamos rir de quê?
Numa completamente a sério, a declaração política que acabou de fazer há 5 minutos serviu para quê? Disse o quê? Interessou a quem? Esclareceu algo?
Publicado por Alves Fernandes às 10:40 PM | Comentários (1)
Normal?
De hoje no Abrupto, sob o título :"Perguntas sobre o caso único".
"... Porque é que Portugal é um “caso único” no seio da UE”? Porque foi o “único” que falhou? Foi isto que foi dito a Chirac? Porque razão isto é um “argumento”? Porque razão é que isto “argumenta” a favor da continuação dos fundos, que, pelos vistos, se admite que Portugal desperdiça?
É tudo incoerente.
E toda a gente acha normal."
EU NÃO ACHO NORMAL. Portanto, já é toda a gente menos um.
Publicado por Alves Fernandes às 03:24 PM | Comentários (2)
Só um pouco mais
Nunca perguntou porquê. Só queria saber quando e quem. O como era da sua própria exclusividade. A sua tarefa consistia em criar os álibis perfeitos e executar. Receber e desaparecer. Não tinha rosto nem tinha nome.
Publicado por Alves Fernandes às 12:29 PM | Comentários (8)
janeiro 10, 2005
Pronto!
Já tenho um final
"Lá fora começava a cair uma chuva miudinha."
Agora só falta escrever o livro.
Publicado por Alves Fernandes às 10:08 PM | Comentários (9)
Hei-de conseguir! Hei-de conseguir!
"O Sol começava a raiar, majestoso, por entre os intervalos dos arcos côncavos das montanhas".
Não, não e não! Assim não vais lá. Ninguém comete um crime numa manhã tão linda. Ok! Ok! Pronto, foi à hora do almoço e estava nublado. Recomecemos.
"Aproximava-se a uma da tarde e o Sol ainda não tinha dado um ar da sua graça. Ele vestiu o sobretudo que lhe cobriria a arma no coldre à tiracolo".
Para! Achas que ele está pronto para matar? Achas mesmo? Esqueceste-te que é uma da tarde e o gajo deve estar cheio de fome?
"A baixa temperatura que se fez sentir não tinha deixado secar a humidade da estrada. Agora, com o aproximar da noite, não iria, de certo melhorar. Mesmo assim, não poderia hesitar. Tinham-lhe pago para matar e os seus créditos não podiam ficar por mãos alheias. Vestiu o sobretudo que lhe cobriria a arma no coldre à tiracolo. Verificou uma vez mais o carregador e colocou a arma no couro traçado. Tudo estava em conformidade. Seria canja. Dentro de dez minutos estaria no local, ermo, onde ela já o esperaria. Nunca o seu poder sedutor o tinha deixado ficar mal. Meteu-se no carro e um arrepio percorreu-lhe a espinha. Estava sem combustível".
É por estas e por outras que eu nunca conseguirei escrever o meu livro policial.
Publicado por Alves Fernandes às 12:43 PM | Comentários (6)
janeiro 09, 2005
Agenda pessoal. A não esquecer.
De repente lembrei-me que já hoje é dia 9 de Janeiro e eu ainda não tenho agenda para 2005.
Normalmente a minha agenda para o ano seguinte começava a ser preenchida em Outubro do ano anterior. Desde reuniões, prazos de entregas de trabalhos, conferências e seminários, inícios de projecto, investimentos, aquisições. Até uma meia dúzia de notas para os aniversários de amigos ou um almoço de “negócios”. Hoje a única data que tenho mesmo de não esquecer é a consulta no psiquiatra no próximo dia 25.
Para isso, nem preciso de agenda.
Publicado por Alves Fernandes às 10:19 PM | Comentários (12)
Duas notas sobre bola ou... querem que fale de quê ao Domingo?
Nem tudo foi mau
Mau foi o jogo. Nem eu estava à espera de melhor, dada a actual qualidade das duas equipas.
Mau foi o árbitro. Nem eu estava à espera de melhor, dada a actual qualidade da arbitragem em Portugal.
Mau foi o treinador do Benfica. Nem eu estava à espera de melhor, dadas as referências que mais de uma vez aqui fiz.
Mau foi o resultado. Para mim, que sou lampião até à raiz dos pelinhos mais esconsos.
Bom! Bom foi o tinto Tapada do Chaves reserva 1998, que bebi enquanto acompanhei o jogo na tv.
Liga Profissional de Futebol Camarário
Depois do anúncio de Pôncio Monteiro de que estava em elaboração uma lista encabeçada por ele e secundada por Jorge Nuno Pinto da Costa para a Câmara do Porto, o Futebol Clube do Porto prepara-se para ter uma Câmara Municipal. Não tenho muitas dúvidas que uma lista destas possa ganhar esmagadoramente a autarquia da cidade. Seria curioso ver o Luís Filipe Vieira ou o Dias da Cunha elaborarem uma lista do Benfica ou Sporting (já que uma coligação só me parece viável após as eleições), para a Câmara de Lisboa. Como seria curioso o Mano Nunes na Câmara de Aveiro e por aí fora. Na verdade só mudaria o nome da Liga de Futebol. É um bocado como aquela história de que se cada fruto perdesse o seu próprio sabor para tomar o sabor de uma outra ao lado, a salada de frutas manter-se-ía inalterável.
Publicado por Alves Fernandes às 11:47 AM | Comentários (11)
Asséptico
Só conto aqui uma anedota quando ela vem a propósito de algo marcante na minha vida em particular ou relacionada com a nossa vida em geral. Não tenho nenhuma pretensão de tornar este blog engraçado.
Não faço críticas à governação, quando acho que um acto não é criticável, mesmo que outros achem. Rejo-me pela minha cabeça, não faço eco. Critico tudo quanto me desagrada sem olhar a quem criticou antes ou a quem possa presumir vir a criticar depois. Se esperam de mim um menino de coro, desiludam-se.
De vez em quando escrevo algo mais brejeiro que desagrada os mais puritanos e desilude os mais atrevidos. Nada é propositado. Na minha vida fora, no dia a dia, não passo o tempo a dizer foda-se, nem a dizer ai Jesus.
Se coloco uma imagem de Modigliani ou um texto de Sartre, se cito em paralelo Manuel Damásio e Albino Forjaz de Sampaio, se aludo a um disco de Chico Buarque de Holanda no dia seguinte ao de ter falado de Nelly Furtado, se como um hambúrguer no Mac Donnalds à hora de almoço e janto no Fialho é porque sou eu, o Alves Fernandes e ninguém armado ao pingarelho.
Porque este blog é pessoal e não tem o mínimo desejo de ser mencionado como um blog isto ou aquilo, é que o seu autor se sente orgulhoso da direita, ou de os bloguistas de direita, não gostar(em) dele, dos centrões não lhe darem crédito e até o retirarem da lista de links, dos intelectuais não o lerem, dos jornais e jornalistas não saberem que existe, e até de aceitar que em conversas privadas alguém lhe diga que é um blog asséptico.
Pois que seja!
Publicado por Alves Fernandes às 01:04 AM | Comentários (4)
janeiro 07, 2005
Acto Falhado
De vez em quando dizemos o que não queremos. Fazemo-lo inconscientemente e, muitas das vezes, sem tem a ver com a conversa ou acção que se desenrola à nossa volta. São partidas do nosso subconsciente: Não sou psicólogo mas creio que assumem a configuração de um acto falhado.
Jogávamos uma partida de cartas. Na mesa, dois homens e duas mulheres. À volta, uns quantos gozando a falta de jeito de alguns de nós para jogar. Um dos parceiros de jogatina, diga-se de passagem um moço assim bem apessoado, demonstrando uma inabilidade latente para fazer batota, passava o tempo a espreitar as cartas na mão da moça ao lado dele. Esta, aqui e ali, demonstrava algum nervosismo, quiçá uma certa ansiedade. A verdade é que estava intranquila. Ao fim de várias tentativas do colega lhe espreitar o jogo ela gritou-lhe irada:
“- Se voltas a despir as calças…”
Ficamos todos, por uma fracção de segundo, estupefactos. À socapa, de cada um dos jogadores e, também dos espectadores, saíram uns risinhos meio sacanas.
Muito vermelha a nossa amiga emendou:
“- Se voltas a espreitar as cartas, saio da mesa!”Em uníssono desatamos a rir. Ela levantou-se e dirigiu-se à casa de banho.
Tive vontade de vos contar este “fora” aceitando o desafio da Gotinha e após ter lido o post da Didas. Gotinha, se me voltas a foder desafios destes, ups! Se me voltas a fazer desafios destes…
Publicado por Alves Fernandes às 11:52 PM | Comentários (3)
janeiro 05, 2005
Que canseira!
Esta situação de desempregado dá cá uma trabalheira que nem imaginam. Ele é ler as páginas de anúncios dos jornais, ele é navegar na net nos sites de oferta de emprego, ele é escrever cartas de apresentação, ele é mandar e-mails, faxes, cartas (mais o trabalho de colar os selos), ele é tentar apanhar o Sr. Director pelo telefone (que diga-se de passagem, está sempre em reunião), ele é o diabo a sete.
Graças a Deus que ninguém me responde, nem aos e-mails, nem às certas, nem a nada, quando não ainda teria o trabalho de ler a porcaria das respostas.
Desesperadamente, procuro quem me empregue. Estou farto de trabalhar tanto!
Publicado por Alves Fernandes às 12:30 PM | Comentários (11)
janeiro 04, 2005
Ela chegou

Foi na 6ª feira passada. Chegou e instalou-se. A minha filhota foi buscá-la a Carcavelos e ela, a Yasmin, está feliz por ter uma família de acolhimento. Quem a recebeu bem, muito melhor do que estávamos à espera foi o Schubert. Às vezes faz-lhe a vida negra, correndo atrás dela como se fossem da mesma idade. Gatos! Mas ela, diga-se em abono da verdade, passa o tempo a desafiá-lo. Mulheres! A verdade é que o Shubi (nickname do Schubert) está feliz com a companhia e a Yasme (nickname da Yasmin) gosta de beijos. Quem não gosta, não é?
Publicado por Alves Fernandes às 10:29 PM | Comentários (11)
Anedotas e protagonistas
No antigamente, por cá, contavam-se anedotas do Américo Tomaz enquanto do outro lado do Atlântico, em português, se contavam anedotas do Costa e Silva. Os belgas contam-nas dos franceses e vice-versa, nós contamos dos espanhóis, os brasileiros contam dos portugas. Os de castela contam dos bascos e dos galegos, os daqui contam dos alentejanos, os valões dos flamengos e por aí fora.
Há personagens características do anedotário mundial e nomes comuns em Portugal. O menino Carlinhos em certas regiões, o Joãozinho noutras. O Joaquim e o Manuel são as personagens típicas das anedotas de português contadas no Brasil.
Os protagonistas sucedem-se e alguns vão sendo esquecidos pela história. Esperemos que a nova personagem, Pedro Santana Lopes, passe rapidamente à história. Para bem de Portugal!
Publicado por Alves Fernandes às 09:05 PM | Comentários (1)
janeiro 03, 2005
Perdoai-lhes Senhor... que eu não tenho pachorra; nem fígados!
“Isto é um verdadeiro Timor! É um massacre!” Este grito histérico de uma popular, durante as manifestações de Canas de Senhorim, face aos empurrões (e até algumas bastonadas) da polícia, ficou-me a moer a cabeça. Já, com certeza, alguém escreveu sobre isto. Eu não escreveria nada, não fosse uma afirmação que hoje ouvi na SIC Notícias. Mas já lá vou.
Esta senhora, “popular”, obviamente na excitação do momento e com a presença de uma câmara (teve os seus segundos de fama), expeliu uma barbaridade quase impossível de ser batida. Claro está que, a esta senhora, nem lhe passa pela cabeça o que foi a invasão de Timor pela Indonésia, nem lhe passa pela cabeça o que foi o massacre de Santa Cruz, nem lhe passa pela cabeça o que foram as acções das milícias pró-Indonésias após as eleições em Timor.
Acima eu disse quase impossível de ser batida. Pensava eu. Discutia-se hoje, num programa de análise ao fenómeno desportivo, na SIC Notícias, se tinha havido ética ou não em o Sporting antecipar o jogo da Taça de Portugal com o Pampilhosa de modo a limpar um castigo do jogador Liedson. Não vou entrar nesse debate. Não é o propósito deste texto. O Dr. Fernando Seara não é um “popular”. É Presidente da Câmara de Sintra, destacado dirigente do partido – ainda – no Governo e putativo deputado da Nação. Este senhor afirmou que “Foi um Tsunami na Pampilhosa: uma onda gigante para limpar um cartão”. Se o Benfica ganhar por vários golos ou se o Sporting ganhar por vários golos de diferença, não me espantaria ouvir este senhor dizer que foi um verdadeiro Timor. Não há fígado que aguente!
Publicado por Alves Fernandes às 11:57 PM | Comentários (7)
Matemática e Português
Hoje descobri, casualmente, um blog interessante, onde alguns professores de matemática relatam experiências com as suas turmas. Não sabia que os sistemas de duas equações a duas incógnitas eram ensinados actualmente no 9º ano pois, no “meu tempo” , eram-no no 4ºano do liceu (actual 8º) e, além disso, já não lecciono há mais de 20 anos. Espero que com este avanço de um ano se simplifique a aprendizagem, uma vez que, quando eu lá andava a maior dificuldade na aprendizagem da matemática era a dificuldade em se compreender o “falar” português. Como exemplo, atentem neste problema a equacionar (repito, 4º ano do liceu em 1969) e na dificuldade de interpretação. A resolução, depois de equacionado, é elementar.
“Pedro diz a Simão: eu tenho o dobro da idade que tu tinhas, quando eu tinha a idade que tu tens. Quando tu tiveres a idade que eu tenho, a soma das nossas idades é 63 anos. Quais as idades actuais de Pedro e Simão?”.
Não vale responder que, pelo facto de o problema ter tantos anos, o Pedro e o Simão já morreram.
Publicado por Alves Fernandes às 08:37 PM | Comentários (10)
Arte

Fará este mês, no dia 24 de Janeiro, 85 anos que morreu Amedeo Modigliani, pintor e escultor italiano, nascido em Livorno na Tuscânea. Celebrizou-se, entre outros factos, por ter pintado corpos nus de mulheres. Morreria cedo, com apenas 36 anos de idade, sendo que apenas aos 18 começou a frequentar a Escola Livre de Estudos de Nu em Florença. Embora haja uma relação directa entre Modigliani e o Nu, o pintor celebrizou-se, em grande parte da sua carreira na execução de retratos. Um dos óleos que mais gosto é o Retrato de Lunia Czechovska que coloco à direita, aqui neste blog.
Em 1969, tinha eu 14 anos de idade, um dos meus professores, fez-nos fazer um trabalho sobre um pintor do século XX. Por sorteio, calhou-me Amedeo Modigliani. Na época, sem Internet, recorri a várias bibliotecas para recolher informação. A da Calouste Gulbenkian foi a que mais material me forneceu, nomeadamente uma colecção de postais ilustrados com obras do pintor. Em casa, no recanto do meu quarto ía compondo os textos com as imagens. Difícil foi explicar à minha mãe porque é que tinha as paredes inundadas de pinturas de mulheres nuas.
Ambas as reproduções foram retiradas deste site.
Publicado por Alves Fernandes às 04:17 PM | Comentários (2)
O que é Nacional é… mau?
Há vários anos que oiço falar em Seinfeld. Confesso, que nunca tinha visto um único episódio. Não tinha (e, pelo único que vi ontem, continuo a não ter) a noção daquilo que entusiasma tanto a nossa praça mais intelectual. Raro é o “coiso” ou “coisa” (*) que quando falam em TV, em séries e principalmente em comédias não venham com o Seinfeld para o meio da sala de dança. Em primeiro lugar tem gargalhadas enlatadas. Lembro-me da crítica televisiva quando, à boa maneira das soaps americanas, as séries cómicas portuguesas começaram a introduzir a gargalhada enlatada. Caiu o Carmo e Trindade. No Seinfeld, devem ser enlatados SPAM ou HEINZ, como o catchup, para serem assim tão apreciados. Depois não consegui ver um Kramer melhor que um António Feio, nem um George melhor que um Fernando Mendes, tão pouco uma Elaine melhor que uma Céu Guerra (não estou a falar fisicamente) nem, finalmente, um Seinfeld melhor que um Marco Horácio. O episódio que vi ontem na SIC Radical, o qual atribuo ao meu, já quase a raiar o complexo da perseguição, azar, era uma rábula bem ao nível de um Prédio do Vasco, para pior e rés-vés Campo de Ourique com os Batanetes. Um tipo como eu, que se ri até quando a malvada da ciática não o deixa nem mover uma perna e fica 10 minutos paralisado, concorrendo com as estátuas do Rossio, não conseguiu soltar uma única gargalhada com tão infeliz episódio. Vou tentar ver mais um. Se tiver que dar a mão à palmatória, dou.
(*) coiso e coisa é um eufemismo para adjectivar a pseudo-intelectualidade (Nota do Autor).
PS. Acabei de ver na RTP “Os Imortais” de António-Pedro Vasconcelos. Não tinha visto no cinema. Gostei. Também há bom cinema em português.
Publicado por Alves Fernandes às 01:34 AM | Comentários (6)