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dezembro 21, 2004

Vamos lá ver se ainda vou a tempo

Meu Querido Menino Jesus

Tinha tantas coisas para te pedir, mas não peço. Já não deves ter mãos a medir com os pedidos de paz no mundo. Aliás eu acho que só o conseguirias se, de uma assentada, colocasses umas bombas simultâneas em todas as fábricas de armamento. E matasses à bordoada todos os gajos que ganham dinheiro com elas. Ou se conseguisses arrasar com esta caca de planeta. Mas isso dá muito trabalho, principalmente ao teu Pai que teria de trabalhar mais seis dias e seis noites, descansando só ao sétimo. E isso é utópico nos dias que correm. Imagina que ele escolhia uma daquelas semanas com feriado à quinta-feira. Só trabalhava três dias não era? E o mundo que criasse seria ainda mais imperfeito. Portanto deixa lá estar estas guerrazinhas que até são benéficas. Não te esqueças que a invasão do Iraque foi a cereja no bolo que fez crescer como cogumelos a blogosfera. Estás a ver? Há males que vêm por bem. Também não te peço para que acabes com a fome. Se acabares com a fome vai andar aí todo o mundo empanturrado. E depois é ver o colesterol, o ácido úrico, a obesidade, os enfartes do miocárdio e, outras maleitas a crescerem descontroladamente. Além disso não haveria hospitais que chegassem e quem iria ganhar bué, mas bué mesmo de massa era a indústria farmacêutica. Eu acho até, coitaditos, que eles não ganham quase nada e só vejo é laboratórios a fecharem por falência. Olha e se fosse aqui, sim aqui, na nossa jangada, que a fome acabasse? Já imaginaste que os desgraçados das congestões e todas a enfermidades que referi e outras que não disse, teriam que ser assistidos nos novos estádios de futebol? Sim porque o Luís Filipe Vieira ainda hoje disse que o estádio dele custou 165 milhões de euros. Esse dinheiro não dá nem para comprar um medidor de tensão, daqueles que se vendem nas lojas dos chineses quanto mais para fazer um hospital! Portanto meu querido Menino Jesus, postas que estão de parte a Paz e Fome, vamos lá ao que interessa. Em primeiro lugar dá-me umas canadianas (não caraças, não é Canadianas de carne e osso, que eu já estou servido, sempre com esse espírito malandreco, apesar de pequenino, hein), é para eu poder subir e descer escadas, já que se te estou a pedir prendas seria estúpido pedir-te para levares a minha ciática para longe. Estás aqui para trazer e não para levar. E a segunda coisa, se não é pedir muito, logo duas de uma vez, é que digas aí aos gajos que têm empresas ou que gerem as ditas, que eu apesar dos meus quarenta e nove anos (tu tens mais de 2000 não é?), ainda sei trabalhar. Só isso. Não sou muito exigente. Olha, já agora, se ainda te sobrar algum dinheirinho compra umas roupitas para ti, que isso de ficar todo nuzinho nas palhas deitado, nesta época de Inverno é mau, podes apanhar uma constipação.

Publicado por Alves Fernandes às dezembro 21, 2004 12:49 PM

Comentários

Tente o pai natal:)))))Isto se não tiver resposta a esta carta,está visto!;)

Publicado por: annie hall em dezembro 21, 2004 06:50 PM

Annie hall, eu já tentei mas o gordinho barbudo diz que está velho e cansado. Olhe, deu-me uma coca-cola. Vá lá, vá lá.

Publicado por: Alves Fernandes em dezembro 21, 2004 08:52 PM