novembro 30, 2004
Assim se vê a força do SLB
1. O ex-ministro Henrique Chaves recebe o presidente do Benfica, que lhe oferece um DVD;
2. O referido ex-ministro mostra intenção de mandar o DVD pela janela fora. No entanto, vai para casa e analisa-o com muita atenção.
3. Seguidamente pede a demissão do governo.
4. O futuro Sr. Ex-Presidente da República, que há 5 meses não dissolveu a Assembleia da República, quando Durão Barroso, conhecido sportinguista abandonou o Governo, não hesitou em fazê-lo agora quando o representante da Assembleia Geral do SLB pede a demissão.
Digam lá se nós não temos a força dos 6 milhões?
PS. E numa completamente a sério, Sr. Dr. Jorge Sampaio, com o devido respeito, deve 5 meses à democracia portuguesa.
Publicado por Alves Fernandes às 07:11 PM | Comentários (4)
novembro 29, 2004
Ovos
Hoje (por enquanto), não tenho tido muita vontade de escrever no blog. Tenho estado mais dedicado a ler. E encontrei uma das mais engraçadas e acertadas dissertações sobre os ovos. No blog do Branco.
Publicado por Alves Fernandes às 07:06 PM | Comentários (1)
Inverso
Nasceu dextro mas toda a vida sonhou ser canhoto. Infelizmente para os seus sonhos e para a sua vontade, sempre que tentava fazer alguma coisa com a mão esquerda ou com o pé esquerdo era um desastre. Tem sido o tormento de toda a sua vida, principalmente da sua vida de artista. Pintor notável, desenhador exímio, é obcecado por mãos. Tem vários esboços, desenhos e pinturas de mãos esquerdas. A sua mão esquerda, fina, sem calos de nenhum ofício serve-lhe de modelo. Para mais, que usa um anel de uma só pedra com que embeleza quase toda a sua arte. Sempre que faz um desenho tenta copiá-lo com a mão esquerda, mas a obra sai-lhe tosca, inelegível. Não produz mais devido ao desconforto da posição em que trabalha. Sempre a fazer o pino.
Publicado por Alves Fernandes às 09:38 AM | Comentários (4)
novembro 28, 2004
Como é que se diz fim-de-semana em latim?
Não sei, mas será para todos os efeitos um fim-de-semana horribilis
. um ministro demitiu-se sem ter tomado posse
. o ministro não se demitiu por questões pessoais, familiares ou de saúde; parece que alega traição do primeiro ministro
. um operário foi eleito para secretário geral do PC (córror um operário, gritam alguns intelectuais da esquerda caviar)
. alguém, apesar da chuva, ainda vai ter que pôr as barbas de molho
. o Trapatoni ainda é treinador do Benfica
Publicado por Alves Fernandes às 09:19 PM | Comentários (3)
A cada dia que passa...
este Benfica joga pior.
O que é está lá a fazer este treinador? Foda-se!
Publicado por Alves Fernandes às 08:40 PM | Comentários (3)
Crónica Hebdomadária
1. Esta semana faleceu Fernando Valle. A democracia perdeu um dos seus melhores filhos, defensores e praticantes. O Dr. Fernando Valle foi um dos fundadores do Partido Socialista e toda a sua vida foi dedicada à causa dos mais desfavorecidos. O médico e humanista chegou a, não só não cobrar as consultas aos mais pobres, como lhes facultar o dinheiro para os medicamentos.
2. Desde Aristides de Sousa Mendes que não encontro um nome na área Jurídica com uma atitude altruísta para os que sofrem. Tive esperança em Daniel Proença de Carvalho, quando, a título gratuito, decidiu defender as vítimas no caso Casa Pia. Nunca percebi as razões pelas quais desistiu.
3. Por falar em caso Casa Pia, parece que um sr. Arguido decidiu processar os que o invectivaram no primeiro dia do julgamento. Provavelmente se houvesse um Dr. Fernando Valle ou um Dr. Aristides Sousa Mendes, na advocacia actual, alguns daqueles reformados que, à parte estes circos que os media lhes proporcionam, passam os dias num qualquer jardim a jogar às cartas, teriam um defensor à altura.
4. E, talvez também, tivessem quem os patrocinasse contra quem os chamou de “canalhas”. Uma vez que jogando às cartas no jardim, vendendo flores na Ribeira, ou pura e simplesmente ficando a maioria dos dias em casa, vendo a vida passar até ao destino final, não estando a par das grandes questões nacionais (liberalização das drogas leves, paradas gay, off shore da Madeira), provavelmente não votarão no partido do Sr. Daniel, podemos chamar-lhes “canalhas”, pois não perderemos nenhum voto.
5. Quase todas as semanas vejo o programa “Eixo do Mal” da SIC Notícias. Nunca vi tanto unanimismo entre Pedro Mexia, José Júdice, Clara Ferreira Alves e Daniel Oliveira como no caso da pedofilia. Sr. Daniel Oliveira (a minha cara ficou roxa de vergonha, quando o representante da organização que até à data eu me orgulhava de apoiar, chamou de mentirosas às crianças que denunciaram o crime), explique-me, porque eu não percebi muito bem, porque é que segundo o seu ponto de vista todos os arguidos do citado processo podem ser inocentes e todas as crianças que o denunciaram podem ser mentirosos? E já agora, porque é que a sua posição é tão igual à de Pedro Mexia e Clara Ferreira Alves?
PS.
1.Quero aqui dizer, para que conste, que estou completamente em desacordo que se façam julgamentos na praça pública. Já o estava quando nos idos de 70, fui contra o julgamento popular do “camarada” José Diogo, provavelmente o ponto de partida para o meu abandono da política activa, portanto, não posso estar mais em desacordo com os impropérios com que foi brindado Carlos Cruz. No entanto, a minha coerência política impede-me de chamar “canalhas” a quem, no auge da emoção, demonstrou os seus sentimentos contra um dos crimes mais hediondos nas sociedades civilizadas, seja Carlos Cruz culpado ou inocente.
2. Eu não deveria ter ficado tão admirado com as posições do Daniel Oliveira. Afinal de contas leio o Barnabé todos os dias. Vide artigo sob a nova direcção do PCP.
Publicado por Alves Fernandes às 04:48 PM | Comentários (0)
novembro 27, 2004
Falta de inspiração
Era uma obsessão. Um sonho, uma inquietação. Queria ser poeta, sempre desejou escrever um poema por mais pequeno que fosse, sempre quis escrever algo em verso. Não lhe importaria do que falasse o poema. Madrugava para não perder os primeiros raios do sol que, invariavelmente, via nascer na janela das traseiras. Quando os dias eram tristes de chuva ou alvos de nevoeiro, lá estava ele na janela, não a ver o Sol raiar, mas a conjecturar uma sequência de rimas sobre a natureza e os seus fenómenos. Via Sebastiões avançarem entre o nevoeiro, gotas de chuva formando desenhos psicadélicos nas janelas, ventos soprando os indefesos ramos de árvores. Não lhe saía uma linha. Mas saía ele. Bloco de notas debaixo do braço, esferográfica no bolso do casaco, sim estava pronto para a sua missão diária. Calcorreava as ruas da cidade, percorria, becos e vielas, passava por debaixo dos arcos, sentava-se nos bancos dos jardins. Via velhos que jogavam as cartas, garotas de mini-saia, sentia o cheiro da erva a queimar na esquina onde dois jovens partilhavam o ultimo cigarro enrolado. Sentava-se na esplanada de um café à beira-rio, via o vapor atravessar de uma margem para outra, vezes sem conta, os cargueiros entrarem barra adentro. Escutava os pregões matinais das peixeiras, as buzinas impacientes dos automobilistas, os gritos de brincadeira das crianças que saiam do pátio do jardim-escola, mesmo ali ao lado. Em cada olhar, em cada gesto, em cada movimento, em cada sensação, pretendia inspirar-se. Durante anos, nunca consegui escrever um poema. Nunca conseguiu alinhavar um verso sequer. Quis a natureza que, numa daquelas fúrias de Zéphir, um galho de aloendro lhe tenha perfurado um olho. Já vai no canto XI.
Publicado por Alves Fernandes às 09:47 AM | Comentários (6)
novembro 26, 2004
A boca
Bocejou, mas desta vez achou anormal. Tinha dormido doze horas consecutivas. Deitou-se sobre o sofá, sintonizou o canal da TV onde iria passar o jogo de futebol da sua equipa, olhou para o relógio, ainda faltavam quinze minutos e adormeceu. Não deu pela chegada da mulher, apenas tinha uma vaga ideia dos cheiros que emanavam algures da cozinha. Bocejou de novo e continuou a não achar normal. Desta vez bocejou com mais intensidade. Afinal de contas não tinha seguido o cheiro do caril que imaginava, ou sonhava, saía de enormes tachos de barro, caldeirões pendurados na chaminé, também ela exorbitante. À volta na cozinha enorme do palácio, duendes com colheres de pau gigantes, bem maiores que eles, subiam escadotes para mexer o caldo. E riam, riam muito. O fogo no meio da cozinha, que agora já lhe parecia no meio da floresta servia também de aquecimento à sala onde estava deitado. Nem uma mantinha de lã, artesanal, lhe tinham posto a cobrir o peito. Um arrepio de frio era dissipado, pela fogueira, onde o caldeirão cozinhava o cheiroso manjar. Ao fundo os duendes jogavam futebol. Pareceu-lhe ouvir alguém gritar golo, mas nem abriu os olhos. Tinha sono, mais que fome, mais que fome de futebol. E no entanto após todas aquelas horas, ainda bocejava. E bocejou de novo. Sentiu fome e bocejou de novo. Abriu a boca exageradamente e comeu-se.
Publicado por Alves Fernandes às 02:52 PM | Comentários (2)
novembro 25, 2004
Trangénicos
Cumprindo escrupulosamente o que está regulamentado informo os meus “consumidores” de que este é um blog trangénico:
- não se reproduz por semente natural;
- para que exista tem de ser manipulado;
- contém a toxina BT (bué da tolo);
- tem um efeito cumulativo de longo prazo;
Embora tenha sido aprovado pela Real Academia dos Blogs Consumíveis e não contenha pesticidas, não está provado se faz bem ou mal a quem o consome.
Publicado por Alves Fernandes às 11:40 PM | Comentários (4)
Pergunta Natalícia
Com dois milhões por dia vindos da UE, com o fim da austeridade, com os aumentos prometidos para os funcionários públicos, com o drástico abaixamento do IRS, estava aqui um dos meus botões a perguntar-me se afinal o PM não será Santa Claus Lopes?
Publicado por Alves Fernandes às 11:09 AM | Comentários (5)
novembro 24, 2004
Julgamento Casa Pia… começa amanhã
Especulação ou futurismo. Se tal como eu penso que vai acontecer, o Carlos Silvino for condenado por pedofilia e o tal arquitecto por posse ilegal de arma e, todos os outros ilibados por erros de processo e prescrição de denuncias, preparem-se para daqui a uns largos meses termos todos os canais de televisão a entrevistarem altas figuras do Estado, políticos e comentadores especializados na coisa da Justiça, bastonários daqui e dali, juízes e advogados a dizerem em coro que mais uma vez a Justiça em Portugal funcionou. E já agora se algum deles me oferecer uma sabática, com cama, comida e roupa lavada num Estado e Direito, eu aceito.
Publicado por Alves Fernandes às 10:18 PM | Comentários (4)
novembro 23, 2004
Blogclimber
Eu era uma pessoa muito divertida antes de me ter dado o amock. Ria por tudo e por nada e, também, por tudo e por nada tinha uma anedota na ponta da língua. Hoje em dia sou uma pessoa mais ou menos macambúzia, não tanto como este (link), nem tão sério como este (link), nem tão depressivo como esta (link). Às vezes gosto de dar uma gargalhada quando leito este (link) blog, rebolar-me no chão a rir com este aqui (link) ou até mijar-me pelas pernas abaixo com este (link). Mas também sou por vezes demasiado chato, que o diga este aqui (link), inconveniente (o meu amigo (link), que o diga) ou até mesmo mal-educado, porque não suporto opiniões destas (link). A última vez que visitei o blog destes tipos (link), tive uma crise de nervos que a minha mulher teve de me levar ao hospital. Mas não me fiquei: visitei aqui (link), vasculhei ali (link) e procurei também ali (link), porque sei que são blogs muito próximos daquele (link) e desanquei-os completamente. Pois é depois de eu ter citado todos estes tipos, já sei que a minha caixa de comentários não vai aguentar tanto elogio, tanta verborreia e até ameaças de pancadaria, mas eu não me ralo. Sou um blogclimber e o meu número de visitas vai aumentar em exponencial.
PS. E agora uma de blogclimber a sério: Querida Vieira do Mar, parti-me todo com o teu post sobre este tema. Está bestial. Graças aos deuses e às fadas madrinhas não estou englobado. Se tivesse enfiado a carapuça levavas poucas, levavas.
Publicado por Alves Fernandes às 07:42 PM | Comentários (10)
Boicote ou um botão canino?
Telefonei esta manhã para o Hospital Miguel Bombarda. A minha psiquiatra passou-me uma credencial para que eu marcasse um exame psicológico. Simpaticamente, depois de recolher os meus dados pessois, a senhora que me atendeu informou-me que agora deveria aguardar entre 2 a 3 meses que me ligariam para me informarem da data do exame. Isso não me molestou minimamente. Afinal eu preciso de pregar mais uns pregos nas paredes e vou aproveitar enquanto tenho força para bater com a cabeça nas ditas. O que me chateou foi um dos meus botões me acusar de que eu ando a boicotar o governo. "Contigo aumentou em mais uma unidade as listas de espera". Cão!
Publicado por Alves Fernandes às 05:40 PM | Comentários (0)
Receita
No post de hoje intitulado "linha de divisão, escolha e promoção" do Abrupto está a receita. Será que quase dois anos de desemprego é consequência de eu não comer alguns pratos?
Publicado por Alves Fernandes às 03:06 PM | Comentários (0)
Imagens
"Uma imagem vale mais que mil palavras". A frase é conhecida e citada amiúde. É quase banal. Mas pelos vistos deve ser verdade. Constacto que ainda não coloquei uma única imagem neste blog. Por ignorância, é verdade, não sei como é que se faz. A real 'chatice' é que me vejo obrigado a escrever mil e uma palavras, pelo menos, sempre que a prosápia tente descrever a figurinha. Estou feito!
Publicado por Alves Fernandes às 09:58 AM | Comentários (6)
novembro 22, 2004
Um aniversário socialista
O meu blog não é um blog político ou de actualidade política. No entanto, como já disse anteriormente, não me acobardo quando quero emitir uma opinião que me “denuncie” politicamente. Bem sei que os meus posts, com algum cariz interventivo, são pouco comentados, o que deve ser sintomático ou da pouca apetência dos meus leitores para tais tipos de questões, ou da minha falta de jeito para tornar interessante um post de opinião.
Nem uma coisa nem outra me coíbem de emitir opinião. E muito menos de, no minúsculo cubículo onde uso e abuso do meu computador, ler as opiniões políticas dos outros. È assim que acompanho, com alguma fidelidade o blog Causa Nossa. O Causa Nossa não é um blog anónimo, tal como o meu não o é. Eles vivem da política e da opinião, arriscam muito menos do que eu. Eu não sou anónimo, embora quase um “ilustre desconhecido”, no entanto suficientemente exposto para que, todas as opiniões que emita possam no futuro se virar contra mim e poucas a meu favor, pese o facto, verdade seja dita, de fazer parte daquela enorme minoria que raramente tem acesso à “coisa pública”. Não obstante, mesmo sem riscos, as opiniões das pessoas que fazem o Causa Nossa são para mim, com muita frequência, quando não um manancial de ensinamento, um objecto de reflexão. O Causa Nossa fez um ano. Muito obrigado por existir.
Publicado por Alves Fernandes às 08:03 PM | Comentários (4)
Tenho esperança que seja mentira
No tempo da outra senhora havia o SNI. E havia o António Ferro. Parece, segundo rezam algumas crónicas que, Salazar tinha ouro nos cofres do Estado. Não havia falta de dinheiro para pagar ou suportar uma central de informação do governo. Agora que o Senhor Presidente da República, de um Estado Democrático, 30 anos depois do 25 de Abril, ainda por cima em quem eu votei, com orgulho e convicção por duas vezes, argumente que veta uma central de informação do governo por dificuldades financeiras, não estava nas minhas cogitações mais pérfidas. Espero que amanhã a Presidência da República venha a lume desmentir a notícia. Caso contrário é mais uma decepção. Ou então não…
Publicado por Alves Fernandes às 07:47 PM | Comentários (0)
Amigos
Sempre gostei de fazer amigos. Em cada período da minha vida fui capaz de criar círculos. Tenho ainda alguns amigos da escola primária, outros do liceu, outros da universidade. Tenho amigos em empresas onde trabalhei, em bairros onde vivi. Quando falo em amigos, falo daqueles com privei, os que, em algum momento, assumimos cumplicidades mútuas e, quando mais jovens, fizemos algumas “patifarias” juntas. O passar do tempo, as diferentes motivações, os deslocamentos geográficos, os estilos de vida, foram fazendo perder o contacto com muitos deles. Mas continuo a considerá-los meus amigos e sei que este sentimento é recíproco. Com o advento da Internet e da comunicação virtual passei a considerar meus amigos algumas pessoas que nem conheço. Por pequenos gestos, por palavras ou até por símbolos há uma “compinchidade” que não é de somenos importância. Por isso gostei de ver na classificação dos links do Eduardo, o meu blog aparecer na secção “À mesa com amigos”. Para ti, Eduardo, um enorme abraço.
Publicado por Alves Fernandes às 10:51 AM | Comentários (3)
Festividades
Comemoro hoje, precisamente, 2 anos 4 meses e 22 dias que estou desempregado. Vou tomar um banho a 42ºC para ver se me passa o frio.
Publicado por Alves Fernandes às 10:12 AM | Comentários (5)
Frio
São quase nove e meia da manhã, estou levantado há quase duas horas e ainda não fui para o banho. Está frio demais para despir o pijama. No entanto, tenho um problema suplementar. O meu pijama não tem botões e eu não tenho com quem falar.
Vou cortar a barba e tentar conversar um bocadinho com o espelho.
Publicado por Alves Fernandes às 09:26 AM | Comentários (0)
novembro 20, 2004
Bodas de Ouro
- A menina dança?
- Não, não danço consigo.
- Não? Pois fique sabendo que você é que vai ser a mãe dos meus filhos!
Fosse eu bonitão como ele e também poderia ter dito uma frase dessas a uma miúda. Era um galã! E vocês quando olham para uma foto das vossas mães, há 50 anos atrás, não vos parece uma artista de cinema? A minha parece. O que quer dizer que eram dois jovens muito bonitos, os quais, três anos depois daquela frase, viriam a dar o nó.
No dia 20 de Novembro de 1954, o Augusto - nome de imperador romano - e a Crisálida - o princípio da vida - casaram. Ela é de facto a mãe dos filhos dele. Eu fui o primeiro rebento, o Carlos o segundo, o Paulo o terceiro. Hoje, com os filhos, as noras, os netos e a bisneta, lá estaremos todos, a comemorar as Bodas de Ouro, dos outrora quase galãs de cinema, hoje de cabelos prateados. Bodas de Ouro, cabelos de prata, descendentes que são pérolas, que mais nobreza de joelharia se pode querer? Parabéns Pai e Mãe!
PS. Eu sei que daqui a 50 anos será impossível eu vir aqui escrever, um post similar. Até porque não sei se daqui a 50 anos, ainda haverá blogs.
Publicado por Alves Fernandes às 08:14 AM | Comentários (5)
Um ano de bom blog
A minha amiga aNa, a tal a quem eu mando uns beijos às escondidas das respectivas Marias (a minha e a dela) tem um blog. Tem um bom blog! E hoje comemora um ano de blog. Não fosse ela lagartona e eu mandar-lhe-ía um beijo daqueles de ficar vermelha que nem uma camisola do Glorioso. Assim, não mando que é para ela ficar verde de raiva! Parabéns minha querida amiga. Continua a escrever porque eu gosto.
Publicado por Alves Fernandes às 08:09 AM | Comentários (1)
Radicais
A minha amiga Catarina é membra fundadora de uma associação (vejam lá, porque tem um nome comprido)que faz hoje um ano. Eu não sou membro, nem nunca fui convidado, mas isso não é motivo para deixar de aplaudir. Aliás quero-te dizer Catarina que se me convidasses eu não poderia aceitar. Porque eu não estou de acordo com o ponto 6 dos estatutos. Bolas, vocês são contra as quecas, caraças! Longa vida à camarada Catarina!
PS. O tipo que é agora presidente da Comissão Europeia, costumava dizer "Longa vida ao camarada Mao" e eu achava muita graça. Ou então eu estou abaixo do bacilo de Koch, sei lá..
Publicado por Alves Fernandes às 08:03 AM | Comentários (4)
novembro 19, 2004
A neura continua
Só me apetece ligar os interruptores com os joelhos. Fosse eu um gajo mais alto...
Publicado por Alves Fernandes às 03:28 PM | Comentários (3)
Estou cá com uma neura
Tenho um nervo, um tendão ou o raio que parta inflamado, mesmo num sitío que me impede de estar sentado.
E não falo mais nada por agora, porque esta sexta feira está cá uma merda...
Publicado por Alves Fernandes às 12:39 PM | Comentários (6)
Referendo
Se a pergunta ontem aprovada na AR não for chumbada pelo TC, não farei campanha pelo NÃO, não farei campanha pelo SIM, simplesmente, NÃO VOTAREI. Estou farto DESTA "democracia".
Publicado por Alves Fernandes às 09:29 AM | Comentários (0)
novembro 18, 2004
Histórias de gerações
Estava aqui a aconselhar-me com os meus botões e perguntei-lhes se deveria aqui contar algumas curiosidades geracionais. Eles acharam bem e eu vou colocar três estórias da minha vida. Vou tentar ter alguma graça. Se não tiver… paciência.
I. Fernão Mendes Pinto (Minto?)
A Nair Alexandre é uma jornalista do Expresso. No suplemento ACTUAL da edição de Sábado passado, tem um apontamento sobre a casa de Almada de Fernão Mendes Pinto. Lá descobriu a quinta, em Palença de Cima, onde, segundo parece, terá vivido Fernão Mendes Pinto. Ela não nomeou as pessoas com quem falou, mas deu a entender. E uma das pessoas que hoje explora a taberna no piso térreo da referida casa é meu primo em 3º grau. Os pais dele viveram nessa casa, os avós também e, naturalmente, os bisavós. O António, é assim que se chama esse meu primo contou à jornalista que teve uma bisavó que morreu com 104 anos. Ora eu, também tive uma bisavó que morreu com 104 anos. Que por acaso, era a mesma pessoa. Ou seja, o meu avô Augusto, pai do meu pai, era o irmão mais novo do meu tio Eduardo, avô do António. Ambos filhos da tal senhora de grande longevidade. E já agora, para que conste o Eduardo e o Augusto eram os Penajoias. E os filhos e os netos e os bisnetos. E eu antes de Alves Fernandes dever-me-ía identificar como Conde Penajoia. E também espero morrer aos 104 anos. E apesar da estória ser verdadeira, podem me chamar mentiroso. Afinal de contas sou descendente da “casa” de Fernão Mendes Pinto.
II. Os Penajoias
Os meus bisavôs eram naturais do Barril de Alva. Cedo vieram para Almada, já casados, deixar prol. Quando cá chegaram tomaram quintas de renda. Era uma extensão enorme de terrenos, que iam desde a Palença de Cima até aos terrenos da Quinta de S. Lourenço, junto aos silos da Tagol, e para oeste até à Qt. do Raposo, onde hoje fica situado o bem conhecido bairro do Pica-pau Amarelo. Todas aquelas quintas foram exploradas pelos meus bisavôs, que viveram na Qt. de S. Lourenço e posteriormente (é aqui que me falha a memória, já lá vão bem mais de 150 anos) a Qt. De St. António, a tal onde viveu Fernão Mendes Pinto. E aí abundava o casario, onde viviam ou pernoitavam alguns dos jornaleiros. E aí havia a tal taberna, que hoje o António ainda explora e já o seu avô e meu tio-avô Eduardo explorava. E aí se reuniam, à noite, para tomar uns copos e falar mal uns dos outros. O meu bisavô com muita experiência de vida, conhecia as migrações internas no interior de Portugal. E de Trás-os-Montes, Alto Douro e Beira Alta, os povos desciam Portugal a baixo à procura de trabalho. E foi lá, pelos lados do alto Alva que o meu bisavô conheceu gente de Pena Jóia. E de cujas características (que me desculpem os actuais habitantes da vila de Pena Jóia, mas são apenas histórias de época que eu estou a relatar), fazia parte uma que era a de falar mal dos outros. Ao que o meu bisavô terá dito “Alto lá, rapaziada, deixem de falar mal uns dos outros. Até parece que são de Pena Jóia!”. Não necessito falar da ileteracia, do analfabetismo, da falta de cultura geral de há 150 anos atrás (qualquer semelhança com a actualidade é pura coincidência). E o meu bisavô lá teve de explicar aquelas correlações geográficas. E Palença de Cima até hoje se chama Penajoia. E os descendentes do meu bisavô, os penajoias, os Condes Penajoia.
III. Os Condes Penajoia
Bastardo! Já estou a ouvir alguns de vós a chamarem-me, nem que seja em surdina. Pois a minha trisavó, era moça de servir em casa de uns condes, na Beira Baixa, na região do Barril. Nessa época era costume os senhores se apaixonarem pelas moças de casa ou, tão somente, se deitarem com elas. No entanto, como diz o outro, noblesse oblige, nada de perfilhar bastardos. A minha trisavó viria a ter um filho, o primeiro Penajoia do conto anterior, filho de Conde! E como eu sou apenas a 4ª geração, eu também sou Conde. Conde Penajoia!
Publicado por Alves Fernandes às 05:35 PM | Comentários (6)
Reflexões
Coisas sobre as quais me apetecia reflectir hoje:
AACS – as “instituições” só são isentas quando agem a nosso favor.
SG filtro – vou plantar uvas numa amiga minha; pouparei nos pesticidas.
O público e o privado – “reservado o direito de admissão” está à porta do café de amigo meu; “porquê?” “porque a casa é minha, ora bem”; o governo está prestes a nacionalizar-lhe o café; vai considerá-lo público e proibir de fumar quem lá entre.
Pauleta – continua pá, sempre tive fé em ti. Quando atingires os 80 jogos bates o recorde do Rei!
Livros – saídos dos blogs; o Manel, o Jaquim, a Ogénia, a Mengarda, também terão a sua oportunidade; se forem jornalistas, políticos, apresentadores de TV…
Corporativismo – na blogosfera, ou então não.
Convenção de Genebra – “o filho da puta, está a respirar, fingindo que está morto”; “mata-o!” ; não se ensina nada sobre prisioneiros de guerra aos soldados dos estados unidos?
“E por que é que não reflectes?” perguntou-me um dos meus botões enquanto eu o colocava na respectiva casa. “Não tenho nem engenho, nem arte” – respondi. Apertei o nó da gravata e pensei nisto enquanto tomava o pequeno-almoço. Mas sem nenhum botão ouvir.
Publicado por Alves Fernandes às 10:42 AM | Comentários (3)
novembro 17, 2004
Bolas que este botão é chato
Diz-se no blog de esquerda que a ‘Alemanha pondera obrigar o uso do alemão nas mesquitas ‘. Estava eu a comentar isto com os meus botões, quando um deles, chato e desmancha-prazeres, me responde: “Infelizmente o Paulo Querido não pondera obrigar o usos do inglês na weblog.pt; assim todos teríamos a obrigação de saber ler os posts do blog de esquerda”.
Publicado por Alves Fernandes às 11:52 AM | Comentários (8)
Será que o botão me vai oferecer?
“Qual foi o presente que recebeste hoje?” – perguntou-me o botão de punho, no momento em que o colocava no punho direito. Curioso que sendo eu dextro, há apenas duas coisas que faço sem dificuldade com a mão esquerda. Uma é cortar as unhas da mão direita a outra é colocar o botão no punho direito. “Porque é deveria ter recebido um presente? Não faço anos.” – respondi sem ter conseguido alcançar o objectivo da pergunta. “Vamos lá a ver” disse-me ele, com sotaque nortenho. Estes botões de punho foram comprados, em tempos, numa ourivesaria do Porto. “No dia da criança, deste presentes aos teus filhos, certo? No dia da mulher presenteaste a tua, certo? No dia da mãe não te esqueceste da tua, verdade? Pois bem, hoje é o dia do fumador. E então? Tu és fumador!” Fiquei a pensar naquilo. Realmente, a quem me pudesse oferecer um ‘cinzeiro definitivo’, quer dizer aquele onde eu ao apagar a beata, fosse a última, ficaria eternamente agradecido. Ou então uma pistola…
Publicado por Alves Fernandes às 10:00 AM | Comentários (5)
Botão contabilista
Estava eu na sala, zappingando o novo alinhamento da TV Cabo, quando oiço um grito vindo de dentro do guarda fatos. Assustado acorri ao chamamento e, espanto meu, vejo um botão meio velhote, num casaco escuro, sobre uma camisa branca desapertada no colarinho, com uma gravata às riscas de nó fino e meia de lado. Olho para baixo e vejo os meus velhos óculos, de aros em massa castanha, caídos no fundo do armário, com uma lente partida. O velho botão no último fato que usei como contabilista, meio excitado, vira-se para mim e diz-me: "Esquece os óculos, não te chamei por causa disso. Foi só para te informar que esta gaja é a tua visitante número 1000". Cá para nós ela fez de propósito ou então estava feita com o botão contabilista. Corporativista!
Publicado por Alves Fernandes às 12:02 AM | Comentários (4)
novembro 16, 2004
Botão impertinente
Só porque está frio o meu sobretudo não se pode arvorar em todo-poderoso. Muito menos os seus botões devem pensar que têm o rei na barriga. Pois o botão do meio do meu sobretudo hoje teve uma impertinência para comigo, que digo já aqui, publicamente, que não lhe admito. Vínhamos ‘numa boa’ a conversar e até a cantar os dois, quando a TSF iniciou as notícias das sete. Dizia a jornalista que em Espanha, já foi condenado um dos autores do atentado de Atocha, de 11 de Março deste ano. Dizia também, a jornalista, que o julgamento do processo Casa Pia tem fortes possibilidades de vir a ser adiado. Vai daí, o referido botão perguntou-me: “Não gostavas de ser espanhol?”. Ora uma pessoa só porque tem a Justiça que tem, cá em Portugal, não tem forçosamente que gostar de ser Espanhol. Eu respondi-lhe, educadamente, que não. É então que, o malcriado entra numa birra, prende-se no cinto de segurança e, quando eu vou a sair, quase que me faz espalhar ao comprido no chão. “Eu não te admito que repitas a gracinha, ouviste?”
Publicado por Alves Fernandes às 09:02 PM | Comentários (0)
Efeitos secundários
Estava a despir a roupa do dia para vestir o pijama, quando inadevertidamente disse para os botões: "Esta desgraçada desta azia não me passa nem com água ozonada". "E não vais ao médico?" perguntou-me um deles com um arzinho de pena que a mim me deu pena dele. "Vou sim, amanhã vou ao psiquiatra".
PS. De facto esta azia está a agudizar o meu estado depressivo. Será antes maníaco?
Publicado por Alves Fernandes às 12:31 AM | Comentários (6)
novembro 15, 2004
Nostalgia
Às vezes distraído ponho-me a cantar, em vez de falar, com os meus botões:
Na pista Penny há um barbeiro a mostrar fotografias
De todas as cabeças que teve o prazer de conhecer.
E todas as pessoas que vão e vêm
Param e dizem ‘Olá’.
Na esquina está um banqueiro num automóvel
As criancinhas riem para ele por detrás das suas costas
E o banqueiro nunca usa um impermeável
Na chuva cadente – muito estranho.
A pista Penny está nos meus ouvido, está nos meus olhos…
Desculpem-me a tradução livre, mas é assim mesmo que eu canto com os meus botões. É a nostalgia dos sixties e dos seventies. E quando não canto os Beatles, canto ‘Upstair is the tairolairolairo, Downstairs is the tairolairolow…”
Publicado por Alves Fernandes às 05:27 PM | Comentários (7)
Botões e tostões … para outros fins
O Dr. Pedro Santana Lopes, este fim-de-semana, falou, falou, falou e não disse nada (obrigado Ricardo pela expressão). Acho que agora quer mandar-me uma carta para explicar tudinho. A carta para explicação do OE, não precisa de ma mandar. Dispenso, ok?
Atento a este meu pensamento, o botão de cima, desapertado porque hoje não pus a gravata, sussurrou-me “Diz ao gajo, que também tu aderes àquela campanha – que a Catarina publicitou há uns dias – para pegar nos 30 cêntimos do selo e mandar para as CERCIS”. Pronto, Dr. Santana Lopes, está dito. Não gaste dinheiro em inutilidades. Não preciso que continue a falar, falar, falar e não diga nada.
Publicado por Alves Fernandes às 12:20 PM | Comentários (11)
novembro 14, 2004
Botões a mergulharem no futebol
Aqui, em conversa com os meus botões, comentava-se a guerra Sporting x Boavista por causa das piscinas. Ambos, os clubes, acusam o outro de terem os melhores mergulhadores. De um lado o Liedson e do outro o João Pinto. Os meus botões, que nunca mordem na mão de quem os abotoa, ficam estupefactos das acusações do Sporting ao João Pinto. Como são de boa memória não esquecem os campeonatos que os saltos para a piscina do João Pinto, o grande artista, lhes deu.
Depois rematei a conversa e disse-lhes: "Meninos, só porque hoje é Domingo, não é razão para este blog falar de futebois".
Publicado por Alves Fernandes às 12:27 PM | Comentários (5)
novembro 13, 2004
Basicamente...
O Trapattoni é um cagalhão com olhos.
Ah é verdade, o Morais Sarmento, também.
(Desculpa minha querida Papoila ter-te roubado a expressão. Mas ela é tão irresistível, que eu... não resisti!)
PS. Adorei os teus gatos!
Publicado por Alves Fernandes às 11:20 PM | Comentários (4)
novembro 12, 2004
Desculpem-me os meus amigos de direita... mas estou tão farto do Vasco Rato
Tenho uma prima, quase duas décadas mais nova do que eu, que há uns anitos atrás se licenciou em Relações Internacionais. Conversando com o meu tio, pai dela, sobre a Universidade e Faculdade onde a minha prima tirou o seu curso, ele começou a gabar a escola e o curso e, reforçou a sua visão, dando como exemplo o nome dos professores. Entre eles, Vasco Rato. Na época eu não sabia quem era a pessoa, mas pela positiva, “que sim, que com professores assim, tudo bem, devia ter sido um óptimo curso, etc, etc”. Agora que o Vasco Rato aparece na televisão mais vezes do que o Marcelo Rebelo de Sousa, mais vezes que o Nuno Rogeiro, mais vezes que aquele general, ajudem-me no nome que não me recordo agora, mais vezes que o Presidente Sampaio e até mais vezes que o próprio Santana Lopes ou o Louça, tornei-me católico.
Acabo de escrever esta pequena introdução e oiço uma gargalhada, bem sarcástica, de um dos botões da minha camisa. “Católico???? Ah ah ah ah ah! Como assim man?”. Eu explico:
- Não há tarde nenhuma que eu não vá à igreja rezar para que ela esqueça tudo o que aprendeu.
Publicado por Alves Fernandes às 04:15 PM | Comentários (13)
Perversidade
“O que é isto?” - perguntei meio chateado, meio admirado. Tinha-me saltado um botão da braguilha. Ele respondeu-me, envergonhado: “também não sei, nem sequer é hora de ponta”.
Publicado por Alves Fernandes às 03:28 PM | Comentários (6)
Botão abstémio
"Hoje provei uma ginjinha de estalo" disse eu para o botão do casaco que não assistiu à prova. "Vais escrever isso no blog?" - perguntou-me, como que se preparando para a resposta. "Vou" - respondi, encolhendo os ombros. Enquanto vestia o casaco, o botão enfiou-se em casa, resmungando pelo caminho "agora sim, estás cheio de pujança; já começas a escrever coisas de jeito". Duhhhh!
Publicado por Alves Fernandes às 01:04 PM | Comentários (7)
novembro 11, 2004
Nem todos os botões são exagerados
- Pre?
- Sim.
- Sabes que há bloggers inteligentes?
- Sei.
- Sabes que há um blogger mais inteligente do que tu?
- Só um?
- Este é MESMO mais inteligente do que tu!
- Sério?
- Já visitaste o Circo Cerebral?
(Eu já o visito há muito tempo, mas o botão metálico do meu blusão, é não só um excelente publicitário, mas também um leitor selectivo)
Publicado por Alves Fernandes às 10:38 PM | Comentários (6)
Botão palhaço
"Por que é que tens um blog?", perguntou-me o botão da camisa quando o fiz sair da casa para me despir. Respondi-lhe: "para ser lido...". "e por que que não és?" Palhaço!
Publicado por Alves Fernandes às 10:28 PM | Comentários (4)
Um botão observador
"Conseguiste reduzir os teu leitores a 30 por dia" disse-me o botão da telefonia, que é um observador atento, embora eu nunca lhe ligue peva. Eu respondi: "São poucos, mas bons!". Ele, observador como só os botões de telefonia são, ripostou "No dia que te faltar o whisky, como faltam os biscoitos a certos bloggers e vieres escrever isso no blog, passas a ser lido por milhares". Eu baixei a bola e fui tomar outro. A garrafa ainda não está vazia.
Publicado por Alves Fernandes às 10:03 PM | Comentários (0)
Um botão que me repreende
"Hoje a tua mulher chegou de uma semana de trabalho fora e tu estás a olhar para os rabos da Mónica e da Paula, na Quinta?" Eu respondi "Se fosse Sexta não olharia".
Publicado por Alves Fernandes às 09:58 PM | Comentários (0)
El boton muy critico
Dizia-me o botão das cuecas (claro que tenho umas cuecas com botões) "quando fores amigo do Paulo Querido e vieres escrever um post que diga 'hoje dei um traque' serás destaque do dia, post da semana e blog do mês". Eu respondi-lhe: "Não sejas má língua".
Publicado por Alves Fernandes às 09:52 PM | Comentários (0)
El boton pasmado
Hoje tem sido dia de S. Martinho. Um dos meus botões perguntou-me: "E tu, não te embebedaste?" Eu respondi "Não".
Publicado por Alves Fernandes às 09:43 PM | Comentários (1)
novembro 09, 2004
Piadas e concorrência… os botões, esses invejosos.
“É a primeira e última vez que o citas, ouviste?” - Recomendou-me, em jeito de exigência, um dos meus botões. Ainda olhei de relance para ver se descobria qual era, mas começaram todos a assobiar para o ar, disfarçadamente, para que eu não descobrisse quem tinha falado. Eu respondi um, não muito convicto, “está bem” e ouviu-se um som em uníssono de como quem respira fundo. O individuo que eu quero aqui citar, tem o nome igual a um que, uma ou outra vez, ouvi debitar umas cabotardes num, não menos cabotino, programa de televisão, de um pressuposto não-pedófilo (não vejam qualquer ironia ou insinuação na afirmação uma vez que, a nossa constituição considera, e bem, que antes de alguém ser condenado se pressupõe inocente). Não sei se é a mesma pessoa, sei só que o nome é igual. Também tenho ideia de ver um nome igual associado a umas tontarias tipo cor-de-rosa num jornal, mas deve ser confusão minha com nomes iguais. E, de repente, entendi porque é que os meus botões não queriam que o citasse. Estão com medo da concorrência. De facto o artigo dele é de mijar a rir.
Publicado por Alves Fernandes às 08:51 PM | Comentários (2)
Botões gavetas e cuecas… que confusão!
Quase toda a gente tem, eu não sou excepção, um armário, lá em casa, normalmente na casa de banho, que tenha uma gaveta fingida. Quer dizer, não é propriamente uma gaveta. Exteriormente tem o feitio de uma gaveta, com puxador e tudo, mas não abre. O espaço é ocupado, quase sempre por um lavatório. Vamos lá ver, se se abrisse, não teria nenhuma vantagem prática pois, o espaço que deveria ser para pôr “coisas” seria exíguo, já que está virtualmente ocupado pelo lavatório. O risco seria abrir e verificar que conteria um lavatório lá dentro. Pois leitoras e leitores, descobri que tenho umas calças assim. Quero dizer, umas calças com um bolso fingido. O botão (bonito, por acaso) também lá está, qual puxador da pseudo-gaveta. E a algibeira também, bem pespontada e tudo. Só que é fingida. Contiguamente, só as cuecas. Quer dizer se o bolso se abrisse, correr-se-ía o risco de ter lá dentro umas cuecas. E ninguém anda com cuecas dentro dos bolsos. Só se for alguma cuequinha, inadvertidamente achada no banco do lado do condutor…
Publicado por Alves Fernandes às 03:56 PM | Comentários (2)
novembro 08, 2004
Desculpam-se porque são pequeninos
“Eu sei, eu sei que tu passas horas e horas a ler e a reler os blogs que tens aí na tua coluna da direita”, diz-me o botão da manga esquerda, aquele pequenino que fica a meio da carcela, “mas diz-me cá, óh Alves, se te custa alguma coisa linkares mais um. Só mais um pá, mesmo sem seres linkado, podes linkares”. Eu acho que é por ser um botão pequenino que ele ainda comete alguns erros. O primeiro erro, é pensar que eu sou surdo e repetir palavras nas frases que me diz. O segundo erro, este efectivamente grave, é ele achar que eu só linko se me linkarem. Está muito mal enganado o ‘bezerro’. Se assim fosse a minha amiga Gotinha que foi linkada no Pré e aqui desde quase o primeiro dia, não faria parte da lista. Toda a gente viu, até o Tal & Qual que ela nunca me linkou. Mas, para satisfazer a vontade do meu botão pequenino, o meu mais que tudo, o meu bijuzinho dos botões, hoje vou linkar outro blog de que gosto muito. É de um homónimo meu, o Victor, só não homógrafo porque o meu não tem cê. Oficina das Ideias é um bom blog. Lá está ele na coluna do lado.
Publicado por Alves Fernandes às 03:17 PM | Comentários (8)
Fecho éclair
Hoje vesti um fato de macaco. Reparei, depois, que não tinha botões. Apenas dois fechos de correr. Fiquei mudo e quedo. Logo mais trocarei de roupa.
Publicado por Alves Fernandes às 09:53 AM | Comentários (2)
novembro 07, 2004
Botões atentos
Há coisas que nem os botões entendem. Ou então, entendem e nós não entendemos a lógica dos botões. Eu estava a conversar com o botão da camisa, aquele que fica escondido dentro das calças, talvez por ser envergonhado não sei, mas de vez em quando sai-se com coisas que dão que pensar. Dizia-me ele que acreditava piamente na ressurreição. Eu não entendi. “Estamos em tempo de ressurreição. Há 2000 anos, um fulano chamado Jesus, ressuscitou ao terceiro dia, certo?”. Eu respondi “certo”. “Parece que o Arafat, que é daqueles lados, também ressuscitou ao terceiro dia”, disse-me ele enquanto se escondia dentro das calças.
Eu, que nestas coisas de religião, confesso, sou um leigo, comecei a pensar e achei que o meu Benfica também era uma equipa… daqueles lados.
Publicado por Alves Fernandes às 09:48 PM | Comentários (7)
novembro 06, 2004
Reino da Selvajaria e alertas dos meus botões
Tenho dois botões luminosos nas pontas de uma camisa à cow-boy (cóboi, deveria ter escrito) que comprei na América. Pirosice, estão vocês a dizer. Eu sei, mas dão-me muito jeito. São os meus alertas. Quando um acende já sei que há um aviso para algo interessante de ler ou escutar. Depois, o outro, o que não acende, aconselha-me se hei-de escrever algo sobre o assunto.
(a propósito da lagartixa e do jacaré no veritasfiliatemporis.blogspot.comque sigo com muita atenção)
Meu caro José Pacheco Pereira,
Permita-me que lhe conte uma pequena história. Por motivos profissionais tive de passar, há alguns anos atrás, uns tempos nos Estados Unidos da América. Houve tempo para falarmos de muita coisa e obviamente de desporto. E, claro está, sendo eu europeu, também de futebol. A questão girou à volta da aderência da população estadunidense ao futebol (soccer, como eles chamam ao futebol da Europa e América Latina). Ao contrário do que muitos dizem aqui neste continente e neste país em particular, a adesão ao futebol não é assim tão ínfima quanto isso. Digamos que, para a época, uns 10% da população gostava e “seguia” o soccer. Digamos que assim uns 25 milhões, por aí. Mas quando se falava em população infanto-juvenil então esta percentagem era pelo menos do dobro. E porquê? Porque o futebol é um desporto barato e um desporto simples. Barato, porque não requer mais do que uma bola (sapatos de ténis todos eles têm, uns calções e uma t-shirt podem ser quaisquer uns). Numa rua, num quarteirão de qualquer bairro se podem “dar uns toques”. Simples, porque as regras são tão poucas – se comparadas com o basquetebol, com o basebol ou com o futebol americano, parece uma disciplina da instrução primária – que qualquer grupo de 10 miúdos joga à bola sem árbitro. Mais tarde, quando entram para os colégios ou escolas públicas, passam a ter outras condições. Ringues para praticar, equipamentos e professores. Evidentemente que a “necessidade” pelo futebol (soccer) se vai esvanecendo.
Feita esta introdução, peço desculpa, por me ter alongado, gostaria de transpor isto, não para a velha Europa na generalidade, mas para Portugal particularmente. Como o meu caro José Pacheco Pereira sabe, a popularidade do futebol assenta em todas as classes sociais, naturalmente, mas tem uma base de apoio que é fundamentalmente popular. E quando as crianças vão para as escolas, as condições de prática do desporto (embora hoje em dia incomparavelmente melhor do que há 30 anos atrás), permitem que seja o futebol, o rei. Temos assim um misto de tradição (o futebol é da Europa) com uma base de apoio popular que ultrapassa qualquer outro desporto em Portugal. Se completar estas duas premissas com 60% de iletrados, 2 milhões de portugueses pobres, 200 mil no limiar da fome, as fábricas quase semanalmente a fecharem, as tensões sociais, 500 mil desempregados, o desempenho e o abandono escolar, tem o holliganismo. Se somar a ganância capitalista de fazer dinheiro sem olhar a meios, tem a imprensa, jornais rádios e televisões ávidas de escândalos, aberturas de noticiários, primeiras páginas. Por acaso já pensou porque é que a “sua” Quadratura do Círculo passa na SIC Notícias e não na SIC generalista? Sabe porquê? Porque rende muito mais dinheiro falar na esposa do senhor Pinto da Costa durante meia-hora nos noticiários das oito! Que nunca a voz lhe doa de apregoar, como apregoa muitas vezes, situações declaradamente obscuras, interesses, compadrios, injustiças sociais. Você sabe, eu já lho disse em outro blog que tinha antes que, politicamente falando, não estamos no mesmo quadrante. Você é uma pessoa da direita moderada, eu sou uma pessoa de esquerda. Mas não é um jogo de futebol que nos divide. Pode não gostar de futebol, está no seu direito. Eu não aprecio golf, acho uma actividade lúdica para ricos ou para velhos, mas não aprecio, efectivamente. Mas não é o “jogo da bola” que deve pagar as favas. Até porque você, não é tão superficial quanto isso e gosta de ir à raiz das coisas.
Cumprimento-o com simpatia.
Publicado por Alves Fernandes às 10:56 PM | Comentários (0)
Merdas que outros detestam nos blogues deles
A Catarina escreveu um post em que declara irritar-se quando não lhe respondem aos comentários que deixa nos blogs que visita. A tal ponto que deixa de os visitar. Enquanto fui e vim à tabacaria comprar os jornais de hoje e tomar a terceira bica do dia, fui conversando com os botões que me acompanhavam sobre a reflexão da Catarina. E atentei à parte que me diz respeito. Um botão, meio solto de língua que é como quem diz, mal pregado e com uma linhazita a servir-lhe de cauda recomendou-me que viesse aqui dar a mão à palmatória. Efectivamente, não sou dos que respondem sempre aos meus comentadores. Não o faço por umbiguismo, obviamente, pois se o fosse nem caixa de comentários teria, mas normalmente por falta de inspiração. Há comentários tão bem urdidos que responder-lhes seria estragar. E como tenho pouco jeito para responder banalidades tipo “: )” ou tipo LOL (aliás eu uso o portuguesíssimo RAG em vez de LOL), abstenho-me algumas vezes de contra-comentar. Uma coisa é certa, a partir de hoje, nem que para isso tenha de tomar um duche de inspiração, nenhum comentário de nenhum leitor ficará sem resposta. Podes voltar, Catarina! E já agora tu, óh botão mal pregado, estás satisfeito com a minha retractação?
Publicado por Alves Fernandes às 10:46 AM | Comentários (12)
Pensar “filho da puta” …
Antes da barba, dos dentes, do duche, do desodorizante, do after-shave, da colónia e de me abotoar, dou uma voltinha na blogosfera, acompanhado de uma bica ou mais. Foi assim hoje, como o é nos outros dias. Pois minhas caras e meus caros leitores, dei por mim a conversar com o botão que me aperta as calças, sobre o texto que a Drªa Vieira do Mar, escreveu na sua Controversa Maresia ‘consultório jurídico, 5-11-2004’. E porque foi que conversei com este botão? Pela simples razão que é o que mais me protege de não ficar com as calças na mão. É verdade e façam-me a justiça de o reconhecer, que os meus posts, mesmo quando se referem a Bush ou a Pedro Santana Lopes nunca os ofendem como pessoas. Gosto da guerra de ideias mas, quando se passa do confronto ideológico para a baixeza do insulto, envolvendo até os parentes dos interlocutores os quais, na generalidade, não são para aqui chamados, estou fora. É nesta troca de ideias que eu e o botão, a páginas tantas, resolvemos vir aqui fazer uma interrogação directa à Drª Vieira do Mar. Minha querida doutora, ninguém nos verá (nem lerá), no nosso blog, quer da minha parte quer da parte dos meus botões, chamar “filho da puta” a ninguém. Mas informa-nos de uma coisa. Em pensamento, também poderá dar pena de prisão?
Publicado por Alves Fernandes às 09:09 AM | Comentários (8)
Nem sempre o botão é a salvação
Podes estar bem, ou pensares que estás bem. De repente, ainda não são 5 da tarde e começa-te uma moinha no pescoço e tu desapertas o botão de cima da camisa. Parece que alivias e achas que as camisas do ano passado, se calhar, deveriam ser substituídas por novas. Sentes-te mais gordo. Algumas horas mais tarde já tens a certeza que a camisa não tem nada a ver com isso e, muito menos, o botão. A dor já está espalhada até às cervicais por um lado e, por outro, atingem-te a linha lateral do pescoço e alguns minutos mais tarde até o ombro te dói. Já não consegues endireitar-te e, quando tentaste levantar-te do sofá, tiveste de chamar alguém para te ajudar. Todo o teu lado direito está apanhadinho, levas uma massagem de álcool puro e tomas um analgésico forte. São horas de te ires deitar, mas a desgraçada da dor não te larga e tens medo que a cama piore. De repente lembras-te que as calças que tens vestidas têm um botão no bolso traseiro, do lado esquerdo. Viras-te de repente, porque se estás torcido na direita, endireitas-te se te retorceres para o outro lado. E em desespero de causa, viras-te e gritas para o botão: “Ajuda-me!”.
PS. Este post foi escrito com a cabeça ligeiramente inclinada para a frente, fazendo um ângulo de 120 graus tendo em conta o cruzamento da linha que percorre o externo em paralelo com este e a linha que da popa do penteado segue a direcção da ponta do nariz. Apesar da minha tentativa, desta vez, o botão não me ajudou. Mas era inevitável vir partilhar convosco este maldito torcicolo.
Publicado por Alves Fernandes às 12:43 AM | Comentários (0)
novembro 05, 2004
Botãozinho brejeiro
Em vez de uma cara de sexta-feira, hoje acordei com a cara nº 42, aquela que qualquer espelho recomendaria, ‘volta para a cama imediatamente!’. Era desta indisposição que eu conversava com os dois botões do bolso da camisa, que por acaso não servem para abotoar, apenas para enfeitar. Mariquices. Um deles, que sempre foi brejeiro toda a sua vida, quis deixar-me bem disposto para o dia inteiro. E assim como quem não quer a coisa, mas ciente que eu estava a ouvi-lo virou-se para o outro e disse: “O meu primo Octávio desde que leu, nas curiosidades do Mundo de Aventuras, que os índios eram o povo que tinham em média o pénis mais comprido e os árabes o povo que mais tempo demorava a fazer amor, passou a apresentar-se como Hassan Asa de Falcão”. Prometo-vos que não vou mudar de nome. Fica assim, Alves Fernandes. Não gosto de publicidade.
PS. Tenho saudades do Mundo de Aventuras, das histórias do Buffalo Bill e do Buck Jones, da colecção Falcão e das aventuras do Major Jaime Eduardo de Cook e Alvega. Felizmente, ainda há Corto Maltese.
Publicado por Alves Fernandes às 11:45 AM | Comentários (5)
novembro 04, 2004
Cada botão com a sua razão
No post abaixo referi que o Dr. José António Barreiros teria aparecido na blogosfera com os mesmos tiques dos VIPs (chamei-lhes celebridades) que é o de não colocar caixa de comentários, para que possamos opinar interactivamente sobre as ideias. Fi-lo não por má fé, como os leitores deste e do meu anterior blog o sabem, mas apenas por um erro que me foi induzido pelo próprio sistema informático (na hora da minha visita ao referido blog, os comentários não estavam efectivamente disponíveis no sistema). Um dos meus botões alertou-me para a incorrecção da informação. Fica aqui a rectificação e o meu pedido de desculpas, público, ao Dr. José António Barreiros, pessoa pela qual tenho o maior respeito intelectual.
Publicado por Alves Fernandes às 11:35 PM | Comentários (1)
Brainstorm com os botões
Fiz um pequeno breefing (do qual só hoje me é possível publicar extractos), com os três botões de uma camisa Lacoste que, por força da mudança de estação só a voltarei a ver – a ela e aos respectivos botões – na próxima Primavera. Discutíamos a presença dos jornalistas, dos políticos, dos comentadores profissionais, dos colunistas, dos fazedores de opinião e de outras celebridades nesta quinta blogosférica. Do brainstorm anotei algumas ideias:
- “Estão habituados a falar sozinhos”. Esta observação, populista, foi feita pelo botão de baixo. À boa moda anglo-saxónica ninguém se lhe opôs peremptoriamente. Nem sequer um ‘mas’. No entanto, apareceram alguns ‘contudos’ e um ou outro ‘porém’. O botão de cima, diria, conciliador: “Sim, você tem razão, porém, quando se trata de jornalistas, alguns deixam o e-mail ou há sempre a possibilidade de se escrever para o jornal”.
- “Falam como se fossem detentores da verdade e só discutem se lhes pagarem cachet”. O botão do meio, nem pela sua posição central, perdeu os tiques de esquerdista radical pequeno-burguês. Gerou-se uma pequena confusão e o botão de cima, que tem uma visão mais global dos problemas, concordou novamente, utilizando a referida estratégia, o que serviu como lenitivo para acalmar os ânimos, com o tal porém inicial: “porém, alguns deles, sujeitam-se a ir ao parlamento, ou às comissões de inquérito explicar as suas razões...”. Deixou cair a afirmação sobre os cachets, sem lhe fazer qualquer referência, quiçá na esperança de ele alguma vez vir a integrar um painel tipo Botões e Casas ou, A Circunferência da Casa Longitudinal.
É provável, que eu não publique mais nenhuma das headlines desta pequena e íntima reunião com estes três botões da Lacoste. Mas, no entanto, com alguns poréns e não menos todavias, não seria honesto para com os meus leitores se não dissesse que me desgosta que as tais célebridades não permitam que opinemos sobre os seus textos, no fórum próprio que é cada um dos seus blogs. Hoje encontrei o novo espaço de José António Barreiros que, ou por vício profissional, ou talvez por “celebridadice”, decidiu criar um blog sem espaço para comentários. Talvez espere que o comentem através das não menos célebres Cartas ao Director.
Publicado por Alves Fernandes às 07:08 PM | Comentários (5)
Botão do punho, botão-de-punho e esperança
Vesti uma camisa azul com uma estreitíssima risca de cinza. Não se trata de Channel, nem Paco Rabanne que os tempos não estão para isso. É uma Victor Emanuelle, escorreita, preceituadamente engomada, com todos os botões bem pregados, originais, nenhuma ponta de linha a desleixo, nem uma única ruga no colarinho. Vesti uma calça de fazenda cinzenta, meia estação, um cinto preto (atrás com a menção ‘pele genuína’), de discreta fivela em aço, preta também. Calcei os sapatos, número 39, não, não se trata do 39º par de sapatos, é mesmo o número do pé, porque eu sou maneirinho. Vesti um blazer azul-escuro, discreto, cujos botões têm um ligeiro toque a ouro, com uma âncora, debruados a azul-escuro, da cor do próprio casaco. Preparava-me para sair quando verifiquei que o botão do punho direito, sorrateiramente, saiu de casa. Olhei para ele, ele para mim, ficamos assim alguns segundos, até que tomei a iniciativa de lhe perguntar, porque é que fez aquilo. Ele, com um ar de tristeza, como só os botões dos punhos da manga direita são capazes de demonstrar, disse-me: “Vi-te assim tão executivamente preparado que pensei que me fosses substituir por botão-de-punho. Estava apenas a adiantar-te serviço”. Os meus botões são por vezes distraídos, pois este não reparou que eu não tinha colocado gravata. No entanto percebi o que é que ele me queria dizer mas, essa substituição ainda ficará adiada. Ele voltou a entrar em sua casa depois de me ter ouvido esclarecê-lo: “Não meu querido, ainda não vou trabalhar. Mas não perdi a esperança”.
Publicado por Alves Fernandes às 11:31 AM | Comentários (6)
novembro 03, 2004
Há dias que não se está com ela
Só me apercebi quando uma amiga minha me perguntou se estava a festejar. Então não é que vesti um pólo, de manga comprida, com 3 botões, azul, com umas risquinhas vermelhas e brancas? E ainda por cima tem o símbolo da GANT que não é nem mais nem menos que uma estilização da bandeira americana… E, como se não fosse pouco, tem bem à vista as três inicias dos states: USA! Claro está que quem olha lê GANT USA. Um dos meus botões sussurrou-me ao ouvido: “Olha lá, num dia como o de hoje, GantUsa não é publicidade enganosa?”
Publicado por Alves Fernandes às 04:22 PM | Comentários (4)
Um botão interessado em eleições
“Na realidade, estou triste com os resultados nas eleições americanas, com as perspectivas que dão como certa a vitória de Bush”, disse-lhe eu, enquanto o fazia entrar na casa de cima da camisa. Mal o meu botão entrou em casa e se foi pôr à janela (qual é coisa, qual é ela, que mal entra em casa se põe à janela? Ai, ai, as coisas da minha infância…), ele contestou-me com um ar desafiador. “Mas até ontem, sempre estiveste convencido, que seria Bush a ganhar. Ou dizias isso, para que a decepção não te perturbasse?”. Estes botões querem que a gente lhes explique tudo. Têm uma certa razão. Precisam que se lhes dê atenção, um certo carinho, que lhes façamos companhia, já que eles nos acompanham o dia inteiro para todo o lado, que conversemos com eles. Eu condescendi em dar-lhe o meu ponto de vista. “Quem, apesar da escalada no terrorismo mundial (Bali, Madrid, Israel, Egipto, Moscovo, Besland, as dezenas de atentados nas várias cidades do Iraque), depois da invasão do Afeganistão e do Iraque e do assassínio de mais de 100.000 iraquianos, em cerca de um ano e meio, o que significa um terço dos mortos perpetrados por Saddam em 20 anos, considera que o mundo está menos perigoso, quem apesar disso acredita que ‘Bush trará excessos e erros, como no passado, mas manterá o rumo numa política que é a única que hoje defronta o terrorismo apocalíptico na sua essência’, merece continuar a ter Bush a mandar no Mundo. Os outros, não!”
Publicado por Alves Fernandes às 12:47 PM | Comentários (0)
novembro 02, 2004
Saltou-me o terceiro botão
O terceiro botão, a contar do colarinho, saltou-me da camisa. Se há coisas que eu não gosto é de ter camisas sem botões. Peguei nele ainda estava saltitante no chão. “Porque deste um pulo desses?” – perguntei, meio zangado por me deixar de peito aberto. “Porque estou feliz!”. A felicidade do terceiro botão da minha camisa, vermelha e branca, contrastava com aborrecimento de ter de ir pegar na agulha e no dedal. “Se te quiseres explicar melhor, eu agradeço”. Fiz-lhe uma cara de segunda-feira, mas ele não se intimidou. “Estou feliz porque o F.C. do Porto, não ganhou. É que eu, tal como o nosso amigo Francisco José Viegas, também sou um holligan de trazer por casa. Só que eu sou da outra cor, da vermelha, percebes?”
Publicado por Alves Fernandes às 10:03 PM | Comentários (3)
A partir de hoje... eu e os meus botões
No Verão tenho um traje preferido. Calções e t-shirt. Quase todos os meus calções têm fecho de correr que, por aqui, se diz éclair e que outros tratam por zipper. Normalmente têm um botão na cintura e, quando têm bolso atrás, têm também um botão. Guardo aí os documentos, fecho o botão, não vá o “mãozinhas” tecê-la. É nessa época que eu sou uma pessoa normalmente calada. Porque eu gosto de falar com os meus botões e as t-shirts não têm os dito cujos. Falar com o botão da cintura é, no mínimo, obsceno. Quem iria acreditar? Estou convencido, eu que sou pudico até dizer basta, que pensariam que eu estaria a conversar com o pénis. Ora com o pénis não se conversa, porque esse tipo tem cabeça mas não tem orelhas. Falar com o botão do bolso de trás é de uma incomodidade que nem vos conto. Experimentem, experimentem e depois venham-se queixar dos torcicolos. É portanto agora, que o frio vem chegando, que eu começo a vestir camisas, a vestir casacos e por vezes até gabardinas. É um fartar de botões, vilanagem. E portanto chegou a hora de eu me tornar um desbocado e por dá cá aquela palha, conversar com eles. Algumas das conversas que terei com os meus botões irei aqui reproduzi-las. Quem quiser ler, leia, quem não quiser, salte por cima. Afinal de contas, são intimidades.
Publicado por Alves Fernandes às 03:06 PM | Comentários (13)