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novembro 18, 2004

Histórias de gerações

Estava aqui a aconselhar-me com os meus botões e perguntei-lhes se deveria aqui contar algumas curiosidades geracionais. Eles acharam bem e eu vou colocar três estórias da minha vida. Vou tentar ter alguma graça. Se não tiver… paciência.

I. Fernão Mendes Pinto (Minto?)

A Nair Alexandre é uma jornalista do Expresso. No suplemento ACTUAL da edição de Sábado passado, tem um apontamento sobre a casa de Almada de Fernão Mendes Pinto. Lá descobriu a quinta, em Palença de Cima, onde, segundo parece, terá vivido Fernão Mendes Pinto. Ela não nomeou as pessoas com quem falou, mas deu a entender. E uma das pessoas que hoje explora a taberna no piso térreo da referida casa é meu primo em 3º grau. Os pais dele viveram nessa casa, os avós também e, naturalmente, os bisavós. O António, é assim que se chama esse meu primo contou à jornalista que teve uma bisavó que morreu com 104 anos. Ora eu, também tive uma bisavó que morreu com 104 anos. Que por acaso, era a mesma pessoa. Ou seja, o meu avô Augusto, pai do meu pai, era o irmão mais novo do meu tio Eduardo, avô do António. Ambos filhos da tal senhora de grande longevidade. E já agora, para que conste o Eduardo e o Augusto eram os Penajoias. E os filhos e os netos e os bisnetos. E eu antes de Alves Fernandes dever-me-ía identificar como Conde Penajoia. E também espero morrer aos 104 anos. E apesar da estória ser verdadeira, podem me chamar mentiroso. Afinal de contas sou descendente da “casa” de Fernão Mendes Pinto.

II. Os Penajoias

Os meus bisavôs eram naturais do Barril de Alva. Cedo vieram para Almada, já casados, deixar prol. Quando cá chegaram tomaram quintas de renda. Era uma extensão enorme de terrenos, que iam desde a Palença de Cima até aos terrenos da Quinta de S. Lourenço, junto aos silos da Tagol, e para oeste até à Qt. do Raposo, onde hoje fica situado o bem conhecido bairro do Pica-pau Amarelo. Todas aquelas quintas foram exploradas pelos meus bisavôs, que viveram na Qt. de S. Lourenço e posteriormente (é aqui que me falha a memória, já lá vão bem mais de 150 anos) a Qt. De St. António, a tal onde viveu Fernão Mendes Pinto. E aí abundava o casario, onde viviam ou pernoitavam alguns dos jornaleiros. E aí havia a tal taberna, que hoje o António ainda explora e já o seu avô e meu tio-avô Eduardo explorava. E aí se reuniam, à noite, para tomar uns copos e falar mal uns dos outros. O meu bisavô com muita experiência de vida, conhecia as migrações internas no interior de Portugal. E de Trás-os-Montes, Alto Douro e Beira Alta, os povos desciam Portugal a baixo à procura de trabalho. E foi lá, pelos lados do alto Alva que o meu bisavô conheceu gente de Pena Jóia. E de cujas características (que me desculpem os actuais habitantes da vila de Pena Jóia, mas são apenas histórias de época que eu estou a relatar), fazia parte uma que era a de falar mal dos outros. Ao que o meu bisavô terá dito “Alto lá, rapaziada, deixem de falar mal uns dos outros. Até parece que são de Pena Jóia!”. Não necessito falar da ileteracia, do analfabetismo, da falta de cultura geral de há 150 anos atrás (qualquer semelhança com a actualidade é pura coincidência). E o meu bisavô lá teve de explicar aquelas correlações geográficas. E Palença de Cima até hoje se chama Penajoia. E os descendentes do meu bisavô, os penajoias, os Condes Penajoia.

III. Os Condes Penajoia

Bastardo! Já estou a ouvir alguns de vós a chamarem-me, nem que seja em surdina. Pois a minha trisavó, era moça de servir em casa de uns condes, na Beira Baixa, na região do Barril. Nessa época era costume os senhores se apaixonarem pelas moças de casa ou, tão somente, se deitarem com elas. No entanto, como diz o outro, noblesse oblige, nada de perfilhar bastardos. A minha trisavó viria a ter um filho, o primeiro Penajoia do conto anterior, filho de Conde! E como eu sou apenas a 4ª geração, eu também sou Conde. Conde Penajoia!

Publicado por Alves Fernandes às novembro 18, 2004 05:35 PM

Comentários

Ai minha nossa senhora, o Sr Conde Penajoia trepa a palmeira como ninguém!!
Que delirio delicioso :P

Publicado por: Alexandre em novembro 18, 2004 07:30 PM

Eu não sou conde mas só uma Jóia ;]

Publicado por: disperso em novembro 18, 2004 07:55 PM

Oiço muitas vezes histórias semelhantes aqui pelos meus lados: Ponte de Lima sempre foi uma terra cheia de solares e de familias " nobres " e essas histórias dos filhos das empregadas e dos títulos abundam.
Actualmente o que acho graça é que ainda existem 2 condes: se os quisermos encontrar na lista telefónica vamos a conde e estão lá...
Beijos

Publicado por: Monalisa em novembro 18, 2004 08:16 PM

Muito bom dia Ilustre Sr. Conde!!!
Apraz-me saber que o título não o impede de se dar com a plebe... ;)

Bjs Mts

Publicado por: em novembro 19, 2004 10:29 AM

Pê-lebe? Tu até tens sangue azul :)
Beijinhos

Publicado por: Alves Fernandes em novembro 19, 2004 10:39 AM

Por falar em sangue, vou agora doar... E acho que é vermelhinho... espero eu!!!
Vamos lá para a boa acção!

Bjs Mts

Publicado por: em novembro 19, 2004 10:54 AM