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novembro 28, 2004
Crónica Hebdomadária
1. Esta semana faleceu Fernando Valle. A democracia perdeu um dos seus melhores filhos, defensores e praticantes. O Dr. Fernando Valle foi um dos fundadores do Partido Socialista e toda a sua vida foi dedicada à causa dos mais desfavorecidos. O médico e humanista chegou a, não só não cobrar as consultas aos mais pobres, como lhes facultar o dinheiro para os medicamentos.
2. Desde Aristides de Sousa Mendes que não encontro um nome na área Jurídica com uma atitude altruísta para os que sofrem. Tive esperança em Daniel Proença de Carvalho, quando, a título gratuito, decidiu defender as vítimas no caso Casa Pia. Nunca percebi as razões pelas quais desistiu.
3. Por falar em caso Casa Pia, parece que um sr. Arguido decidiu processar os que o invectivaram no primeiro dia do julgamento. Provavelmente se houvesse um Dr. Fernando Valle ou um Dr. Aristides Sousa Mendes, na advocacia actual, alguns daqueles reformados que, à parte estes circos que os media lhes proporcionam, passam os dias num qualquer jardim a jogar às cartas, teriam um defensor à altura.
4. E, talvez também, tivessem quem os patrocinasse contra quem os chamou de “canalhas”. Uma vez que jogando às cartas no jardim, vendendo flores na Ribeira, ou pura e simplesmente ficando a maioria dos dias em casa, vendo a vida passar até ao destino final, não estando a par das grandes questões nacionais (liberalização das drogas leves, paradas gay, off shore da Madeira), provavelmente não votarão no partido do Sr. Daniel, podemos chamar-lhes “canalhas”, pois não perderemos nenhum voto.
5. Quase todas as semanas vejo o programa “Eixo do Mal” da SIC Notícias. Nunca vi tanto unanimismo entre Pedro Mexia, José Júdice, Clara Ferreira Alves e Daniel Oliveira como no caso da pedofilia. Sr. Daniel Oliveira (a minha cara ficou roxa de vergonha, quando o representante da organização que até à data eu me orgulhava de apoiar, chamou de mentirosas às crianças que denunciaram o crime), explique-me, porque eu não percebi muito bem, porque é que segundo o seu ponto de vista todos os arguidos do citado processo podem ser inocentes e todas as crianças que o denunciaram podem ser mentirosos? E já agora, porque é que a sua posição é tão igual à de Pedro Mexia e Clara Ferreira Alves?
PS.
1.Quero aqui dizer, para que conste, que estou completamente em desacordo que se façam julgamentos na praça pública. Já o estava quando nos idos de 70, fui contra o julgamento popular do “camarada” José Diogo, provavelmente o ponto de partida para o meu abandono da política activa, portanto, não posso estar mais em desacordo com os impropérios com que foi brindado Carlos Cruz. No entanto, a minha coerência política impede-me de chamar “canalhas” a quem, no auge da emoção, demonstrou os seus sentimentos contra um dos crimes mais hediondos nas sociedades civilizadas, seja Carlos Cruz culpado ou inocente.
2. Eu não deveria ter ficado tão admirado com as posições do Daniel Oliveira. Afinal de contas leio o Barnabé todos os dias. Vide artigo sob a nova direcção do PCP.
Publicado por Alves Fernandes às novembro 28, 2004 04:48 PM